Chuvas intensificam pressão na Alerj por votação do veto ao Fundo da Defesa Civil

Deputados cobram análise do veto do governador Cláudio Castro ao FUNPDEC após novos transtornos no interior

As chuvas que atingiram a Região Metropolitana e, principalmente, o interior do estado nos últimos dias não passaram em branco na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Os estragos serviram de pretexto para deputados pressionarem a Mesa Diretora a colocar em pauta o veto do governador Cláudio Castro ao projeto de lei complementar que regulamentava a criação do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (FUNPDEC).

O tema ganhou força durante a sessão desta quinta-feira (05), com manifestações de parlamentares favoráveis à derrubada do veto. A primeira a levantar o assunto foi a deputada Tia Ju (Republicanos), que citou os recentes alagamentos em municípios do interior e defendeu a necessidade de priorizar políticas de prevenção em vez de apenas ações emergenciais após as tragédias.

Apelo por prevenção

Ao se pronunciar em plenário, Tia Ju afirmou que o fundo aprovado pela Casa teria papel central na prevenção de desastres e pediu sensibilidade da Mesa Diretora para que o veto seja incluído na pauta de votação.

A deputada destacou que o projeto foi construído de forma coletiva e ressaltou que os municípios mais atingidos pelas chuvas poderiam se beneficiar diretamente da criação do fundo.

“Sou base do governo, mas a gente costurou isso. Foi um projeto sugerido pelo deputado Luiz Paulo e aderido por toda esta Casa. Aí eu pediria que pudesse trazer (à pauta) para a gente derrubar o veto e possibilitar a criação desse fundo, vai ser bom para o estado, vai ser bom para os municípios que vêm sendo tão atingidos”, salientou.

O deputado Luiz Paulo (PSD), um dos autores da proposta, reforçou o pedido. Ele lembrou que o FUNPDEC previa a destinação de parte de recursos já existentes, oriundos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam), sem criação de novas despesas.

Luiz Paulo já havia criticado o veto no mês passado, argumentando que em 2025 o Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam) teria deixado de aplicar R$ 232 milhões em ações de prevenção. Para o parlamentar, o enfrentamento aos efeitos das chuvas passa necessariamente por investimentos preventivos.

“A tragédia das chuvas cada vez estão mais intensas e vão continuar acontecendo cada vez de forma mais forte, com mais vítimas. A saída é a prevenção. Dinheiro para comprar títulos do Banco Master existe, dinheiro para Defesa Civil para proteger a população, o projeto de lei é vetado”, criticou.

Apoio de outros parlamentares

O deputado Carlos Minc (PSB) também se manifestou em apoio à derrubada do veto. Ele lembrou que o fundo já foi previsto na Constituição estadual e que o projeto vetado apenas regulamentava sua aplicação.

Minc ressaltou que os recursos não seriam novos e citou experiências anteriores de uso do Fecam em ações da Defesa Civil, como compra de equipamentos e sistemas de alerta.

A deputada Lilian Behring (PCdoB) se somou às cobranças e afirmou que a liberação de recursos para a Defesa Civil é fundamental para apoiar os 92 municípios fluminenses. Segundo ela, o fortalecimento das ações de prevenção é essencial para reduzir riscos e proteger vidas diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes.

Estragos no interior

Nos últimos dias, o interior do estado enfrentando os efeitos das chuvas intensas. Municípios do Noroeste Fluminense e da Região Serrana registraram alagamentos, deslizamentos de terra, interdições de rodovias e danos à infraestrutura urbana e rural. Em Itaperuna, o retorno às aulas foi adiado, e em Santo Antônio de Pádua eventos de pré-carnaval foram suspensos.

Cantagalo, na Região Serrana, foi um dos municípios mais afetados, com registro de 164 milímetros de chuva em curto período, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. Rodovias estaduais, como a RJ-152 e a RJ-176, chegaram a ser interditadas após a força das enxurradas arrancar trechos do asfalto.

A Defesa Civil estadual emitiu alertas para risco ativo hidrológico nas regiões Serrana, Norte e Noroeste Fluminense, além de risco moderado de deslizamentos em diversos municípios.

O Instituto Nacional de Meteorologia também emitiu alerta de tempestade, com orientação para que a população acompanhe os comunicados oficiais e evite áreas de risco enquanto persistirem as condições climáticas adversas.

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