A tragédia provocada pelas chuvas na Zona da Mata de Minas Gerais já deixou 48 mortos — sendo 41 em Juiz de Fora e sete em Ubá — além de 20 pessoas desaparecidas, segundo balanço divulgado pela Defesa Civil estadual. Diante da previsão de novos temporais, o órgão fez um apelo para que moradores não retornem às áreas interditadas por risco de deslizamentos.
De acordo com o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Rezende, há registros de pessoas que haviam deixado locais considerados perigosos e decidiram voltar, o que aumenta o risco de novas vítimas. Ele reforçou que a prioridade neste momento é preservar vidas.
As operações de busca seguem de forma ininterrupta há quase 50 horas, com mais de 200 pessoas resgatadas com vida. Somente em um dos pontos mais atingidos em Juiz de Fora, dez corpos foram localizados e nove vítimas foram salvas, enquanto outras 11 continuam desaparecidas.
Força-tarefa reúne equipes e ajuda humanitária
O governo de Minas Gerais montou uma grande operação integrada com a participação da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil. Um posto de comando foi instalado para coordenar as ações e agilizar o atendimento às cidades afetadas.
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública anunciou o uso de policiais penais na fiscalização de detentos que atuarão na limpeza das vias, começando por Ubá. Já a Secretaria de Saúde ampliou a estrutura hospitalar regional, enviou medicamentos e reforçou as equipes médicas para atender os feridos.
Também foram mobilizados psicólogos, assistentes sociais e maquinário pesado para desobstrução de ruas e remoção de escombros. Segundo o comando da operação, o foco é garantir assistência humanizada às famílias e acelerar a retomada da normalidade.
Número de desabrigados diverge entre estado e prefeitura
Dados da Defesa Civil apontam que Juiz de Fora tem 402 desabrigados e 197 desalojados, enquanto Ubá registra 38 desabrigados e 321 desalojados. A prefeitura de Juiz de Fora, porém, estima um número bem maior, com mais de 3.500 pessoas fora de casa.
O governo estadual informou que há estoque suficiente de donativos e agradeceu as contribuições da iniciativa privada e de organizações do terceiro setor que estão auxiliando no atendimento às vítimas.
Os serviços essenciais começam a ser restabelecidos gradualmente. Em Ubá, cerca de 90% do fornecimento de água e energia já foi normalizado. Em Juiz de Fora, o avanço também é considerado significativo pelas autoridades.
Perímetros isolados e risco elevado de novos deslizamentos
A Polícia Militar mantém o isolamento das áreas atingidas por deslizamentos e alerta para que curiosos não ultrapassem os limites de segurança. O objetivo é evitar acidentes e facilitar o trabalho das equipes de resgate.
Estudos indicam que o risco permanece alto. A plataforma AdaptaBrasil classifica Juiz de Fora com índice elevado para deslizamentos, e dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais colocam o município entre os dez com maior população vivendo em áreas vulneráveis no país.
Mesmo com previsão de chuva moderada nos próximos dias, a Defesa Civil alerta que o solo encharcado pode provocar novos desmoronamentos. Por isso, o órgão reforça o pedido para que moradores não retornem às áreas interditadas.






Deixe um comentário