Guerra no Oriente Médio eleva custo da construção no Brasil

Alta do petróleo e da energia já impacta materiais: aumento de mais de 4% no preço do concreto; tubos de PVC subiram cerca de 5%

Os efeitos da guerra no Oriente Médio começaram a ser sentidos diretamente na economia brasileira, atingindo um dos setores mais relevantes do país: a construção civil. O aumento no preço de matérias-primas, energia e combustíveis já impacta obras e preocupa tanto empresas quanto consumidores.

Nos canteiros, a alta é generalizada. Dados recentes mostram aumento de mais de 4% no preço do concreto em apenas um mês. Tubos de PVC subiram cerca de 5%, enquanto blocos, cimento e vergalhões também registraram elevação.

Um dos principais fatores por trás desse movimento é o encarecimento do petróleo no mercado internacional, reflexo direto do conflito no Oriente Médio.

Segundo o economista Alberto Ajzental, muitos insumos da construção estão ligados ao petróleo. “Você tem alguns dos materiais de construção civil que têm derivados de petróleo na sua formação, como o PVC. Então, se o petróleo sobe, diretamente esse tipo de material já sobe”, explicou.

Além dos materiais, o combustível mais caro também pressiona o transporte e a logística, encarecendo o frete e ampliando os custos das obras.

Impacto imediato nas obras

Para construtoras e profissionais do setor, a volatilidade dos preços dificulta o planejamento. A compra de insumos ocorre de forma contínua, sem possibilidade de estocagem em grande escala.

“Não tenho como estocar concreto, aço ou blocos. A compra é constante e não há como garantir preços”, afirmou Renato Genioli, vice-presidente do SindusCon-SP.

Essa dinâmica faz com que qualquer aumento de custo seja rapidamente repassado ao setor.

Reflexo nos índices e nos contratos

O impacto da alta já aparece nos indicadores. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), que corrige contratos de imóveis na planta, subiu 1,04% em abril na comparação com março. No acumulado de 12 meses, a alta já supera 6%.

Isso significa que consumidores que compraram imóveis ainda em construção podem sentir aumento nas parcelas antes mesmo da entrega das unidades.

Preocupação para quem comprou imóvel

Para compradores, o cenário gera insegurança. A assistente de atendimento Maiara Aparecida de Brito Pereira, que adquiriu um imóvel com entrega prevista para 2029, relata apreensão.

“Traz preocupação. Por mais que a gente tenha se programado, essa volatilidade acaba afetando a gente no final das contas”, disse.

Especialistas recomendam cautela no comprometimento de renda para enfrentar possíveis oscilações.O economista Alberto Ajzental orienta que compradores mantenham margem financeira para absorver variações.

“Tem banco que aceita 30% de comprometimento de renda. Eu recomendo não passar de 20%. Assim, você tem uma margem caso a inflação da construção suba acima da sua renda”, afirmou.



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