Chefe de agência dos EUA ameaça cassar licenças de TVs por cobertura da guerra

Declaração de autoridade reguladora, alinhada a críticas de Donald Trump à imprensa, provoca reação de democratas e entidades de defesa da liberdade de expressão.

O presidente da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC), Brendan Carr, ameaçou revogar licenças de emissoras de televisão que, segundo ele, estariam divulgando “boatos e distorções” na cobertura da guerra entre os Estados Unidos e o Irã. A declaração, feita no sábado (14), intensificou a tensão entre o governo de Donald Trump e veículos de comunicação.

Com o conflito entrando na terceira semana, Carr afirmou que as emissoras devem atuar “em prol do interesse público” e advertiu que poderão perder a autorização para operar caso não “corrijam o rumo” antes da renovação de suas licenças.

A manifestação ocorreu após Trump criticar nas redes sociais uma reportagem publicada pelo The Wall Street Journal que relatava um ataque contra aeronaves de reabastecimento dos EUA na Arábia Saudita. O presidente classificou a manchete como “intencionalmente enganosa” e acusou a imprensa de torcer contra o país.

Críticas também partiram do Pentágono

A cobertura da guerra também foi alvo de críticas do secretário de Defesa, Pete Hegseth, que reclamou publicamente de reportagens da CNN sobre o conflito no Oriente Médio durante uma coletiva de imprensa.

Hegseth mencionou ainda a possibilidade de a rede passar para o controle do empresário David Ellison, dono da Paramount Skydance, empresa que negocia uma fusão bilionária com a Warner Bros. Discovery. Caso o negócio avance, a CNN poderia ficar sob a gestão do bilionário, conhecido por mudanças editoriais mais conservadoras na CBS News.

Especialistas em regulação da mídia, no entanto, afirmam que a cassação de licenças de emissoras é um processo complexo e raro nos Estados Unidos. A legislação federal de comunicações também limita o uso da regulamentação para censura governamental.

Democratas falam em ameaça à Primeira Emenda

As declarações de Carr provocaram forte reação de parlamentares democratas e entidades que defendem a liberdade de expressão. A senadora Elizabeth Warren classificou a ameaça como “típica de um manual autoritário”, enquanto o senador Mark Kelly afirmou que, em tempos de guerra, é fundamental que jornalistas possam trabalhar sem interferência do governo.

A Foundation for Individual Rights and Expression também criticou a postura do presidente da FCC, afirmando que sua gestão tem sido marcada por tentativas de intimidar veículos de comunicação.

Críticos apontam ainda que Carr já questionou programas populares da televisão americana, como Jimmy Kimmel Live! e The View, sugerindo investigações sobre o conteúdo político exibido. Para analistas, a estratégia amplia o embate entre o governo Trump e a imprensa em um momento de crescente debate público sobre a guerra e seus impactos econômicos.

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