Uma cena inusitada e inimaginável marcou a sessão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quinta-feira (2). O Partido Liberal (PL), que costuma atuar de forma coesa na Casa, “rachou” durante a discussão de um projeto de autoria do deputado Professor Josemar (Psol).
A proposta, que proíbe o corte de energia elétrica e água de famílias de baixa renda durante períodos de calor extremo no estado, foi aprovada em primeira discussão, mas revelou uma divisão inesperada.
O líder do partido na Casa, deputado Filippe Poubel, conhecido pelas críticas constantes à esquerda, surpreendeu ao defender enfaticamente a iniciativa do psolista, em contraste com seu colega de bancada Douglas Gomes, que fez duras críticas ao texto.
Defesa inesperada
Em plenário, Poubel afirmou que a proposta de Josemar é positiva para a população fluminense.
“O projeto do deputado Josemar é muito salutar. Sou favorável ao projeto, visto que já tramita na Casa um de minha autoria que proíbe cortes nos finais de semana. Quantos ricos não roubam energia fazendo o famoso ‘gato’? Tem que ser justo com todo mundo; tem que ser justo com a população mais pobre, sim. Somos de viés político totalmente contrário, mas quando é bom para a população nós temos que apoiar”, declarou.
O parlamentar lembrou ainda problemas recorrentes com as concessionárias de energia no estado. “São péssimos serviços prestados pela Enel e pela Light, que muitas vezes queimam eletrodomésticos do cidadão e demoram dias para restabelecer o fornecimento. Já houve localidade em São Gonçalo que ficou quase um mês sem luz”, disse Poubel.
Críticas e contrapontos
Douglas Gomes, por outro lado, alertou para os riscos econômicos e questionou a definição de calor extremo. “Já é lei a proibição de corte de serviços essenciais em casos emergenciais, como o de pessoas que dependem de aparelhos de sobrevivência. Então, o que é extremo calor? Às vezes no inverno temos altíssimas temperaturas. Não está claro. Além disso, qual será o impacto para quem paga a energia e a água?”, questionou.
O deputado lembrou sua origem em comunidade para destacar os riscos de desequilíbrio. “Eu morei 20 anos na Favela do Sabão (Niterói), e meu pai sempre pagou energia e água, mesmo quando a maioria não pagava. Se aprovamos um projeto desses sem discutir o impacto, quem paga a conta é o consumidor. Não tem almoço grátis”, declarou.
Na sequência, Douglas fez questão de marcar sua discordância com o próprio líder de bancada. “Discordo veementemente da fala do líder do meu partido, do deputado Poubel. Não tenho medo de perder voto nem de defender aquilo em que acredito. Estamos falando de milhões de pessoas que deixarão de pagar energia, e precisamos de responsabilidade”, afirmou.






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