A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) identificou ao menos oito suspeitos de envolvimento na tentativa de assassinato do bicheiro Vinícius Drumond, alvo de um atentado a tiros em julho, na Avenida das Américas, Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. As informações são do g1.
Segundo as investigações, o grupo se dividiu em três frentes para planejar e executar o ataque: monitoramento da rotina da vítima, execução e apoio logístico à ação. Cinco suspeitos já foram identificados — três estão presos e dois seguem foragidos. Luís César da Cunha, policial militar dono de um dos carros utilizados pelo grupo, o ex-PM Deivyd Bruno Nogueira, conhecido como Piloto, e Adriano Carvalho de Araújo.
Os foragidos são Jorge Affonso Marins de Assis e o miliciano Rafael Ferreira Silva, conhecido como Cachoeira. Jorge foi reconhecido por câmeras de segurança conversando com outros integrantes da quadrilha em uma padaria de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
A polícia aponta Assis como o responsável por monitorar Drumond antes da emboscada. Ele teria utilizado o carro de Cunha com placa clonada para seguir a vítima. Ainda segundo a DHC, depois do atentado frustrado, Jorge voltou ao Casa Shopping, local frequentado por Drumond, em busca de novas informações para planejar uma segunda tentativa de execução.
Cachoeira foi preso em 2022 por três crimes: participação em sequestro, organização paramilitar e uso de arma de fogo de uso restrito. Conforme a Polícia Civil, a vítima do sequestro era ligada ao comércio de cigarros.
Quem é Vinicius Drumond?
Vinicius Drumond é filho e herdeiro do contraventor Luiz Pacheco Drumond, o Luizinho, histórico presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, falecido em 2020. Após a morte do pai, Vinicius passou a ser apontado como um dos integrantes da “nova cúpula” do jogo do bicho no Rio de Janeiro.
Segundo investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, ele herdou pontos estratégicos de exploração da contravenção na Zona da Leopoldina, região que abrange bairros como Ramos, Manguinhos, Maré, Bonsucesso, Complexo do Alemão, Penha, Parada de Lucas e Vigário Geral.
Em fevereiro deste ano, Vinicius foi alvo de uma operação que o identificou como chefe e financiador de uma quadrilha envolvida no furto de combustíveis dos dutos da Petrobras. De acordo com os investigadores, ele comandava o setor estratégico e financeiro do esquema, que operava no Rio de Janeiro e em outros estados. O grupo extraía derivados de petróleo para revendê-los como matéria-prima à indústria de asfalto, borracha e plástico.
Atualmente, o contraventor é patrono da Em Cima da Hora, escola da Série Ouro do Carnaval carioca.
Investigado por morte de advogado
Drumond foi citado nas investigações da DHC sobre o assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, em fevereiro de 2024. O caso envolve suspeitas de participação de policiais militares e possíveis conexões com grupos ligados à contravenção.
O PM Leandro Machado, um dos três presos por participação no crime, foi responsável por alugar o carro utilizado na vigilância da vítima dias antes do assassinato. O veículo foi locado na empresa Horizonte 16, cujo proprietário afirmou, em depoimento, que foi Vinicius Drumond quem indicou Machado para o aluguel. A Polícia Civil apura se Drumond seria o verdadeiro dono da locadora.
Leandro Machado é apontado nas investigações como segurança de Drumond. A mesma empresa de aluguel de veículos já havia aparecido em outro inquérito envolvendo uma quadrilha especializada em furtos de dutos de petróleo.
Além de Leandro, também foram presos Cesar e Eduardo, todos denunciados pelo homicídio de Rodrigo Crespo. A Justiça já aceitou a denúncia e tornou os três réus. Eles irão a júri popular, acusados de homicídio qualificado — por motivo torpe, com uso de emboscada e sem chance de defesa para a vítima.
As investigações ainda buscam identificar os mandantes e executores diretos do crime, que teria relação com disputas internas no jogo do bicho. O assassinato abalou alianças no submundo da contravenção, especialmente a relação entre Vinicius Drumond e Rogério de Andrade, outro nome conhecido do ramo.
A Polícia Civil segue com diligências para esclarecer todas as circunstâncias e conexões do crime.






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