Criminosos usaram carro com seteiras camufladas em atentado contra Vinicius Drumond no Rio

Contraventor escapou de ataque a tiros na Barra da Tijuca; polícia investiga ligação com disputa no jogo do bicho e três assassinatos recentes

O contraventor Vinicius Drumond foi alvo de um atentado na última sexta-feira (11), na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. O ataque, que teve características de emboscada, foi executado por criminosos armados com fuzis que adaptaram um veículo para realizar os disparos sem chamar atenção.

De acordo com a investigação da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), os atiradores utilizaram um Honda HR-V azul escuro, com seteiras camufladas por películas escuras de insulfilm nas janelas do lado direito — uma na porta dianteira e outra na traseira.

A modificação permitia que os criminosos posicionassem os fuzis para fora do carro mantendo-se protegidos e discretos. A técnica, comum em contextos militares e barricadas improvisadas, foi usada para surpreender a vítima.

Após o atentado, o veículo foi encontrado abandonado na Rua Mário Larrubia, em Guaratiba, também na Zona Oeste. O carro apresentava marcas de tiros, um pneu estourado e os furos por onde os disparos foram feitos. A perícia confirmou que pelo menos dois fuzis foram utilizados e que ao menos três criminosos participaram da ação.

A emboscada começou depois que Vinicius Drumond deixou uma academia no Casa Shopping. Ele dirigia seu Porsche Taycan Turbo 2023, blindado, quando foi seguido pelo carro dos criminosos. O ataque ocorreu por volta das 11h, quando o HR-V emparelhou com o Porsche na pista central da Avenida das Américas. De dentro das seteiras, os bandidos dispararam mais de 30 vezes.

Drumond relatou à polícia que, no momento dos disparos, abaixou completamente o banco do motorista e não viu os tiros. Mesmo com o veículo crivado de balas, ele conseguiu dirigir até o Hospital Barra D’Or, a cerca de 4 km do local. Sofreu apenas escoriações leves provocadas por estilhaços de vidro e foi liberado após atendimento.

A sequência do atentado é investigada. A polícia apura se, após abandonar o HR-V, os criminosos roubaram uma caminhonete branca e fugiram em direção à Baixada Fluminense.

Filho do histórico bicheiro Luizinho Drumond, morto em 2020, Vinicius herdou áreas de atuação do jogo do bicho em regiões como Ramos, Maré, Penha e Bonsucesso. Embora atualmente a Imperatriz Leopoldinense esteja sob comando de sua irmã, Cátia Drumond, ele ainda tem influência no meio. Recentemente, foi anunciado como patrono da escola Em Cima da Hora.

A atuação de Vinicius, no entanto, vai além do jogo do bicho, segundo as investigações. Ele é suspeito de financiar com dinheiro da contravenção um esquema de furto de petróleo dos dutos da Petrobras, e foi alvo de operação policial no início do ano.

Também é investigado por envolvimento na morte do empresário Manuel Agostinho Rodrigues de Miranda, seu antigo aliado, assassinado em 2024 após desentendimentos internos.

Além disso, a polícia apura sua possível ligação com o assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, executado em frente à sede da OAB no Centro do Rio. Um PM que fazia vigilância da vítima era segurança de Vinicius, segundo os investigadores.

O caso reacende a série de atentados ligados à guerra entre contraventores no Rio. A mesma Avenida das Américas já foi palco de outros episódios violentos. Em 1998, Paulinho de Andrade, filho de Castor de Andrade, foi executado no trânsito. Em 2010, Rogério Andrade sobreviveu a uma bomba que matou seu filho.

Em 2017, Haylton Escafura foi encontrado morto em um motel. Em 2018, Marcelo Diotti foi executado na Barra. Em 2020, Bid foi morto na porta de um condomínio e, meses depois, Fernando Iggnácio tombou em emboscada no Recreio.

A Delegacia de Homicídios da Capital investiga o atentado contra Vinicius Drumond e sua possível relação com os homicídios recentes. Os agentes buscam imagens de câmeras de segurança da região para identificar os autores.

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