O contraventor Vinicius Drumond presta depoimento na manhã deste sábado (12) na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), um dia após sofrer uma tentativa de execução na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Ele chegou à unidade policial pouco antes das 10h, acompanhado de seu advogado e de uma testemunha.
Vinicius, apontado como um dos integrantes da nova cúpula do jogo do bicho no estado, foi alvo de um ataque violento na sexta-feira (11), quando o Porsche blindado que dirigia foi alvejado por mais de 30 disparos de fuzil. O atentado ocorreu por volta das 11h, na Avenida das Américas, uma das principais vias da região, próximo à Estação Ricardo Marinho do BRT.
Segundo a investigação, criminosos armados seguiram o carro de Vinicius até o momento da emboscada. Testemunhas relataram que homens que seriam seus seguranças reagiram, e houve intensa troca de tiros no local. Quando os policiais chegaram, nenhum dos veículos envolvidos estava presente. O Porsche foi posteriormente localizado no estacionamento do Hospital Barra D’Or, onde Vinicius foi atendido com escoriações leves causadas por estilhaços de vidro.
Horas depois, o carro utilizado no ataque foi encontrado abandonado em Guaratiba, também na Zona Oeste. O veículo apresentava diversas marcas de tiros e tinha duas seteiras camufladas — aberturas nos vidros laterais, meticulosamente cortadas para permitir que os atiradores disparassem de dentro para fora com proteção. A perícia inicial indica que ao menos três criminosos participaram do atentado.
A técnica das seteiras, comum em fortificações militares e barricadas, permite que os atiradores mantenham a maior parte do corpo protegida durante os disparos. No veículo, as aberturas estavam posicionadas nas portas dianteira e traseira do lado do passageiro, ambas cobertas com insulfilm escuro.
Além de sua ligação histórica com a contravenção, Vinicius também é investigado por envolvimento em outros crimes. Em fevereiro deste ano, foi alvo da Operação Ouro Negro, que apura o furto de combustíveis em dutos da Petrobras. De acordo com a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), ele era o chefe estratégico e financeiro da quadrilha responsável por extrair petróleo e revendê-lo ilegalmente como insumo para as indústrias de asfalto, borracha e plástico.
Filho de Luizinho Drumond, histórico patrono da Imperatriz Leopoldinense morto em 2020, Vinicius herdou pontos do jogo do bicho na região da Zona da Leopoldina, incluindo bairros como Ramos, Manguinhos, Maré, Bonsucesso, Complexo do Alemão, Penha, Parada de Lucas e Vigário Geral. Segundo a Polícia Civil, ele se consolidou como um dos principais nomes do crime organizado no estado, ao lado de Adilsinho e Rogério Andrade.
Apesar da forte ligação familiar com a Imperatriz, atualmente presidida por sua irmã, Vinicius não exerce papel ativo na gestão da escola. Recentemente, porém, foi anunciado como patrono da escola Em Cima da Hora, que desfila pela Série Ouro do carnaval carioca. A agremiação afirmou que ele “sempre esteve presente nos bastidores”.
A Polícia Civil segue investigando o atentado, que pode estar ligado a disputas internas na contravenção. A linha de apuração considera a possibilidade de guerra por território ou acerto de contas no submundo do crime organizado fluminense.





