Quase dez meses após a morte do empresário Rhuan Rodrigues Pereira, de 20 anos, baleado durante uma abordagem policial em São Gonçalo, familiares e amigos se reúnem, nesta segunda-feira (2), em frente ao Fórum da cidade para pedir justiça na primeira audiência do processo que apura o caso. Rhuan foi atingido por tiros de fuzil no dia 18 de agosto de 2024, quando voltava da comemoração de aniversário da mãe.
A audiência marca o início da fase de instrução do processo que tem como réu o tenente da Polícia Militar Marcos Gabriel Silva Mendes, denunciado pelo Ministério Público do Rio por homicídio qualificado. A audiência começa às 13h no Fórum Patrícia Acioli, no Colubandê.
Luta por justiça
A mãe da vítima, Fernanda Garcia, afirma viver um “pesadelo” desde a morte do filho.
“Eu vivo um pesadelo desde que meu filho se foi. A metade de mim foi junto com ele no caixão. Desde o terceiro dia depois dele falecido que eu corro atrás de justiça. Nada vai trazer ele de volta, mas a justiça precisa ser feita para honrar a ele, que era um menino muito bom, muito trabalhador, não merecia ter morrido dessa forma”.
Segundo ela, o ato organizado hoje é mais um passo na luta que iniciou ainda no velório do filho: “Foram quase dez meses esperando por esse dia. Tô nervosa, preocupada, mas vou estar lá firme e forte como sempre estive.”

Dez meses após a perda, Fernanda busca apoio em sessões de terapia e na fé para enfrentar o luto e o peso do processo. “Eu faço terapia desde que o Rhuan faleceu e, espiritualmente, peço a Deus que me dê força”, conta.
PM indiciado
A investigação criminal enfrentou resistência inicial, mas avançou a partir da mobilização da família e do Ministério Público, que apresentou a denúncia no dia 18 de dezembro de 2024.
Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o tenente do 7º BPM é acusado de ter atirado três vezes com um fuzil contra o carro dirigido por Rhuan, atingindo-o pelas costas enquanto ele fazia uma manobra de retorno na Rua Heitor Rodrigues, próxima à BR-101. A denúncia aponta motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
A família sustenta que não houve confronto e que Rhuan foi morto de forma covarde. Ele chegou a ser socorrido, recebeu doações de sangue e foi operado no dia seguinte no Pronto-Socorro Geral de São Gonçalo, mas não resistiu e morreu logo depois da cirurgia.
As provas reunidas
Ainda segundo a mãe da vítima, os meses que sucederam a perda do filho foram resumidos em coletar provas. Entre os principais elementos da acusação estão testemunhos de ocupantes do veículo que estavam junto de Rhuan, incluindo um primo da vítima e um motorista de aplicativo que presenciou rapidamente a cena, além de amigas que seguiam o carro da vítima de moto no momento da abordagem.
A audiência de hoje é a primeira oportunidade em que Fernanda estará frente a frente com o policial acusado de ter matado seu filho. “Hoje que a gente vai saber como vai ficar esse processo. É a primeira vez que eu vou estar de frente com ele, o monstro que matou meu filho”, comenta.
O caso causou grande comoção à época, especialmente por envolver uma vítima jovem e sem antecedentes criminais. Rhuan vivia com a irmã mais velha e a mãe. Ele tinha uma loja de roupas multimarcas e mantinha uma rotina de trabalho intensa.
A expectativa da família é de que a justiça seja feita com celeridade. “Desde o momento que meu filho faleceu, eu resolvi que faria justiça. Eu sabia que uma hora ia ter que passar por esse momento. Então, tenho que tentar trabalhar isso na minha mente a cada dia. Eu sabia que esse dia ia chegar”, conclui a mãe.







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