A Polícia Federal marcou para a próxima semana os depoimentos do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto no inquérito sobre o Banco Master. Os dois serão ouvidos como testemunhas na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras e a possível atuação irregular de servidores da autoridade monetária em favor do banco de Daniel Vorcaro. A condição de testemunhas também é confirmada por outras apurações sobre o caso.
Além dos dois, a PF convocou o presidente do Conselho de Administração do BTG Pactual, André Esteves, e o atual diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. Os quatro foram mencionados no depoimento do ex-diretor do BC Paulo Sérgio Souza, investigado sob suspeita de ter recebido vantagens de Vorcaro para favorecer o Master. Souza nega irregularidades.
A previsão é que Esteves seja ouvido na segunda-feira, Galípolo na terça e Campos Neto na quarta-feira. A data do depoimento de Aquino não foi informada no material divulgado.
PF se aproxima do fim do inquérito
A nova rodada de depoimentos acontece em um momento considerado avançado da investigação. Antes de elaborar a relação final de possíveis indiciados, é procedimento da PF ouvir investigados e pessoas mencionadas ao longo da apuração.
O foco de uma das frentes é a suspeita de que antigos servidores do Banco Central teriam prestado uma espécie de consultoria informal a Daniel Vorcaro, fornecendo orientações sobre procedimentos administrativos relacionados ao Master. A investigação também busca esclarecer se houve repasse de informações privilegiadas.
Paulo Sérgio Souza está entre os principais alvos. Ele ocupou a Diretoria de Fiscalização do BC e posteriormente atuou como chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária.
A PF apura a suspeita de que Souza tenha favorecido Vorcaro em troca de vantagens. A defesa do ex-dirigente nega a acusação e sustenta que ele não protegeu os interesses do Master.
Vorcaro falou em ‘agrado’
Daniel Vorcaro já foi ouvido pela Polícia Federal. No depoimento prestado em 28 de agosto, o ex-banqueiro negou que Paulo Sérgio tenha favorecido o Master em processos no Banco Central.
Vorcaro, porém, admitiu ter dado o que classificou como um “agrado” ao ex-servidor ao prestar apoio durante uma viagem da família dele à Disney, nos Estados Unidos, segundo o relato apresentado na investigação.
Em outra frente, Vorcaro declarou à PF que o Banco Central e Galípolo teriam adotado uma postura de “concordância e incentivo” à operação que previa a aquisição do Master pelo BRB. A afirmação é de Vorcaro e integra seu depoimento aos investigadores.
Reunião sobre suposta fraude
O depoimento de Campos Neto também deverá ajudar os investigadores a esclarecer fatos ocorridos durante sua passagem pelo comando do Banco Central.
Paulo Sérgio Souza relatou à PF que, no fim de 2024, o BTG teria comunicado a descoberta de uma fraude bilionária envolvendo o Master durante uma reunião da qual Campos Neto teria participado.
Já Galípolo poderá ser questionado sobre episódios ocorridos posteriormente. Uma investigação interna sobre a atuação de servidores do Banco Central no caso Master foi aberta durante sua gestão e as informações obtidas acabaram encaminhadas às autoridades. A CGU também passou a analisar o resultado da sindicância.
A apuração da PF envolve ainda Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Investigações apontam que ele e Paulo Sérgio mantinham contatos recorrentes com Vorcaro. As defesas contestam as suspeitas de atuação irregular.
Os depoimentos da próxima semana devem integrar uma das últimas etapas antes da conclusão do inquérito e da definição, pela Polícia Federal, sobre eventuais indiciamentos no caso.







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