O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (1º) que conversou três vezes com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, sobre a crise interna que atinge a Corte. Em entrevista ao Flow Podcast, Lula disse ter cobrado uma reação do ministro diante dos embates públicos entre integrantes do tribunal e afirmou que, na avaliação dele, Fachin “não fez o correto” na condução da situação.
“Eu conversei com o Fachin três vezes, e disse que ele não pode deixar a Suprema Corte degladiando, o que o povo humilde vai pensar do que está acontecendo? Assuma a responsabilidade como presidente e tome conta disso”, afirmou Lula.
O presidente acrescentou que não pretende avançar nas críticas sobre a atuação de Fachin. “Na minha opinião, ele não fez o correto, mas não posso dar mais palpite do que isso”, declarou.
Lula vê perda de credibilidade
Durante a entrevista, Lula afirmou que os confrontos públicos entre ministros podem provocar desgaste na imagem do Judiciário perante a população. O presidente também criticou a exposição prolongada das divergências entre integrantes da Corte nas sessões transmitidas pela TV Justiça.
Segundo Lula, o cenário atual está levando o Supremo a “perder credibilidade na sociedade”. A avaliação ocorre depois de semanas de disputas internas relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master e de sucessivos embates entre ministros.
A crise se intensificou em setembro, após André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que continha mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e referências ao ministro Alexandre de Moraes.
Moraes reagiu e pediu investigação contra Mendonça. A disputa avançou nas semanas seguintes, com decisões envolvendo a Polícia Federal e intervenções de outros integrantes do Supremo. Fachin assumiu papel central na tentativa de administrar os processos e os conflitos.
‘Assuma a responsabilidade’
A cobrança feita por Lula a Fachin não começou nesta quinta-feira. No início de setembro, o presidente já havia defendido publicamente que o comando do STF atuasse para dar uma resposta à crise. Em outra ocasião, Lula afirmou que caberia a Fachin e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, transmitir tranquilidade diante das disputas institucionais.
As tensões chegaram ao plenário do Supremo em 15 de setembro, durante uma sessão marcada por divergências sobre como deveriam tramitar os casos envolvendo Moraes e Mendonça. O julgamento acabou suspenso após pedido de vista de Flávio Dino, sem uma definição final sobre a controvérsia.
Reportagens publicadas durante a crise também registraram críticas internas à condução de Fachin. Segundo a CNN Brasil, integrantes de diferentes grupos da Corte avaliaram que o presidente do STF enfrentou dificuldades para conter os embates entre os ministros. A avaliação é atribuída às fontes ouvidas pelo veículo, e não representa uma conclusão institucional do Supremo.
Lula volta a defender mudanças no STF
Na entrevista, Lula também retomou propostas de mudanças no funcionamento do Judiciário. Entre as ideias citadas estão a criação de mandato com prazo determinado para ministros do Supremo e de um conselho da sociedade civil para participar do processo de indicação dos integrantes da Corte.
O presidente afirmou ainda que integrantes do Judiciário que eventualmente cometerem crimes devem responder por seus atos.
“Se eles têm um comportamento que não é o correto, eles vão pagar o preço, todos nós pagamos o preço do erro que cometemos”, declarou Lula.
As declarações colocam novamente a crise interna do Supremo no centro do debate político a poucos dias do primeiro turno das eleições.

Deixe um comentário