O Banco Central registrou em 2026 o maior número de liquidações de instituições financeiras dos últimos 14 anos, em um cenário marcado pelo avanço das investigações envolvendo o conglomerado do Banco Master e empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro.
Dados divulgados pelo portal UOL mostram que 12 instituições financeiras foram liquidadas neste ano, o maior volume desde 2012, quando 14 empresas do setor sofreram intervenção semelhante. O aumento ocorre em meio ao aprofundamento das apurações sobre operações financeiras, conexões empresariais e fragilidade patrimonial envolvendo o ecossistema de negócios ligado ao grupo Master.
A liquidação é uma das medidas mais severas adotadas pelo Banco Central e ocorre quando a situação financeira de uma instituição é considerada altamente comprometida, levando à interrupção das atividades.
Segundo os dados apresentados, das 16 instituições liquidadas desde 2025, seis pertenciam diretamente ao conglomerado Master ou tinham ligação societária com o grupo.
Grupo Master concentra maior parte das liquidações
Entre as empresas associadas ao conglomerado aparecem o Banco Master S.A., Banco Master de Investimentos, Master Corretora de Câmbio, Banco Master Múltiplo, Banco Letsbank e Will Financeira.
O Banco Master Múltiplo já havia ingressado em Regime de Administração Especial Temporária em 2025 antes da liquidação ser determinada neste ano.
O crescimento do número de liquidações colocou novamente sob pressão a atuação do sistema de fiscalização financeira e ampliou o debate sobre o nível de exposição de fintechs, corretoras e instituições de médio porte.
O caso também elevou o escrutínio sobre operações financeiras realizadas por empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, que passou a ocupar o centro das atenções em investigações e discussões sobre estabilidade do sistema financeiro.
Instituições ligadas ao grupo também entraram na mira
Além das empresas diretamente controladas pelo conglomerado Master, outras seis instituições liquidadas mantinham negócios ou relações comerciais com o grupo financeiro.
Entre elas estão Reag (CBSF Distribuidora), Banco Pleno, Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, Entrepay, Octa e Acqio.
Segundo os dados apresentados, embora essas empresas não fossem controladas diretamente por Daniel Vorcaro, elas possuíam operações e conexões comerciais relacionadas ao conglomerado investigado.
A ampliação do número de liquidações envolvendo empresas próximas ao grupo aumentou a preocupação no mercado financeiro sobre os efeitos em cadeia provocados pela deterioração das instituições.
Especialistas do setor avaliam que o avanço das medidas do Banco Central demonstra um endurecimento da fiscalização sobre operações consideradas de risco elevado ou com sinais de inconsistência financeira.
Outras empresas não tinham ligação conhecida com o Master
O levantamento também aponta que quatro das instituições liquidadas não possuíam ligação conhecida com o conglomerado Master.
Nesse grupo aparecem as corretoras de câmbio Frente e Advanced, a sociedade de crédito Dank e a cooperativa de crédito Creditag.
Apesar de não integrarem o universo de empresas relacionadas ao caso Master, as liquidações dessas instituições contribuíram para elevar o total de medidas adotadas pelo Banco Central ao maior patamar desde 2012.
O movimento ocorre em um momento de maior vigilância regulatória sobre instituições financeiras menores, fintechs, plataformas de pagamento e empresas de crédito.
Banco Central intensifica fiscalização
Nos bastidores do mercado financeiro, o crescimento no número de liquidações é interpretado como um sinal de endurecimento da supervisão do Banco Central após uma série de episódios envolvendo instituições de médio porte.
A medida de liquidação representa, na prática, a interrupção do funcionamento da empresa quando as autoridades identificam comprometimento severo da situação financeira, incapacidade operacional ou irregularidades consideradas graves.
O avanço do caso Master também ocorre em meio a investigações sobre operações financeiras, movimentações societárias e possíveis conexões entre empresas do setor.
As recentes intervenções aumentaram a pressão sobre o sistema financeiro e reforçaram o alerta das autoridades sobre riscos envolvendo estruturas empresariais complexas, operações de crédito e relações entre fintechs, corretoras e bancos.




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