O Banco Central decretou nesta quarta-feira a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM, aprofundando o processo de desestruturação do conglomerado financeiro que esteve sob influência do grupo liderado por Daniel Vorcaro e do qual fazia parte o Banco Master. As duas instituições haviam sido vendidas no segundo semestre do ano passado a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
A decisão, segundo a autoridade monetária, foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira das empresas, com agravamento do quadro de liquidez, além de descumprimento de normas regulatórias e desobediência a determinações do próprio Banco Central.
Em nota, o órgão afirmou: “O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada.”
Instituição de pequeno porte no sistema financeiro
De acordo com o Banco Central, o conglomerado do Pleno é classificado como de pequeno porte e está enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, tendo o Banco Pleno como instituição líder.
O grupo representa apenas 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional. Apesar da baixa representatividade sistêmica, o caso se insere em um contexto mais amplo de intervenções no antigo grupo ligado ao Banco Master.
O banco passou por diversas mudanças de controle e identidade ao longo dos últimos anos. Já operou sob os nomes Indusval e Voiter antes de adotar a marca Pleno, sempre em meio a processos de reestruturação. A transferência de controle para Augusto Lima foi aprovada pelo Banco Central em julho de 2025, poucos meses antes de se tornarem públicas as investigações envolvendo o Banco Master.
Desmonte do grupo Master
Desde novembro de 2025, o Banco Central vem promovendo uma desmontagem progressiva do conglomerado liderado por Daniel Vorcaro, após identificar quadro de insolvência financeira, suspeitas de fraudes contábeis e potencial risco de contágio para outras instituições do sistema.
Na primeira etapa da intervenção, em novembro de 2025, foram liquidadas as principais empresas do grupo: Banco Master S/A, Banco Master de Investimento, Banco Letsbank, posteriormente rebatizado como BlueBank, e a corretora do conglomerado.
Em janeiro de 2026, a intervenção foi ampliada para a CBSF DTVM, antiga Reag Investimentos, apontada como parte do mecanismo utilizado para ocultar prejuízos contábeis. No dia 21 de janeiro, o Banco Central também decretou a liquidação do Will Bank, braço digital do grupo, após fracassar a tentativa de venda da instituição e diante do bloqueio das operações com cartões da Mastercard.
Impacto no Fundo Garantidor de Créditos
Com a sequência de liquidações, o Fundo Garantidor de Créditos foi acionado para ressarcir investidores em produtos cobertos, como CDBs, LCIs e LCAs, até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição, respeitado o teto global de R$ 1 milhão.
O caso envolvendo o Banco Master resultou no maior acionamento da história do fundo, com cerca de R$ 41 bilhões reservados para honrar pagamentos a investidores.






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