Caso Marielle: presídio Tremembé reforça a segurança após chegada de Ronnie Lessa

Presença do assassino confesso de Marielle levou tensão à penitenciária; policiais penais suspeitam que outros presos podem tentar matar o ex-PM

A presença do miliciano Ronnie Lessa no complexo de Tremembé continua levando tensão ao Vale do Paraíba. Com receio de que ele seja assassinado, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo solicitou reforço ao Grupo de Intervenção Rápida (GIR) no fim de semana. O pelotão que realiza o policiamento nas muralhas da penitenciária também foi ampliado. Uma viatura do GIR permaneceu de prontidão durante toda a noite.

No sábado e domingo, o ex-policial almoçou, jantou, tomou café da manhã e fez um lanche no meio da tarde. Mostrou-se tranquilo. Como ainda está no regime de observação (RO), ele não recebeu nenhuma visita. Até o momento, Lessa teve contato apenas com um policial penal, que entregou-lhe refeições e falou com ele apenas o necessário, segundo relatos de agentes de segurança penitenciária (Aspe) de Tremembé.

— O Lessa mudou completamente a rotina. O clima ficou muito tenso. Acreditamos que ele não ficará muito tempo na P1 — disse Fábio Jabá, presidente do Sifuspesp.

Lessa chegou a Tremembé no dia 20 de junho. O ex-policial de 53 anos está preso desde 2019 por participar da execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A transferência dele para Tremembé foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como parte do acordo de sua delação premiada.

O assassino confesso está instalado em um cela situada em um corredor ao lado da diretoria, que também teve a segurança reforçada.

Lessa está na cela número 01 do pavilhão do seguro, um setor isolado onde ficam presos jurados de morte por dívida com tráfico, estupradores de mulheres, pedófilos e ex-policiais. Este espaço contém cinco celas com cama de concreto e banheiro privativo com capacidade para três presos por cubículo. Para garantir a segurança do ex-policial, foram retirados todos os presos do pavilhão para abrigar apenas ele.

No setor seguro, Lessa tem direito a duas horas de banho de sol por dia no mesmo local. Por conta do processo de inclusão, ele ficará isolado por 20 dias no cubículo de 9 metros quadrados. Como corre risco de morte, ele não terá contato com outros presos nem mesmo depois do regime de observação (RO). Ou seja, ele permanecerá no mesmo setor enquanto estiver na unidade.

Ficha do Ronnie Lessa — Foto: Arquivo
Ficha do Ronnie Lessa — Foto: Arquivo

Ao chegar à penitenciária usando muletas, o miliciano foi fotografado pela administração. Passou pelo serviço de saúde e assistência social. Em seguida, vestiu o uniforme composto por calça cáqui e camiseta branca. Algemado, foi levado ao cubículo por policiais. Hoje pela manhã, tomou café, leite e pão com manteiga levados por um funcionário da penitenciária.

A título de informação, Lessa não está na mesma unidade onde se encontram os presos de grande notoriedade, como o jogador Robinho, Cristian Cravinhos, Gil Rugai, Lindemberg Alves e Fernando Sastre, conhecido como o Bebê do Porsche. Esses criminosos notórios ficam em uma unidade a 5 quilômetros dali, chamada Doutor José Augusto César Salgado, a P2, também conhecida como “presídio dos renomados” e “cadeia nutella”.

Apesar de a defesa de Lessa ter pedido ao STF para ele ficar no presídio midiático, a decisão do ministro Alexandre de Moraes contém o termo “complexo de Tremembé” como destino da transferência, deixando o destino final do ex-policial com duas opções. Sendo assim, a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo (SAP) preferiu instalar o delator na P1. “O Lessa não tem o perfil da P2”, justificou a secretaria em nota.

A grande diferença entre as duas cadeias é o ambiente prisional. A unidade onde está Lessa é uma bomba-relógio, pois abriga presos do Primeiro Comando da Capital (PCC) e está superlotada. Tem capacidade para 1.278 homens, mas atualmente abriga 1.915. Já a P2, a dos renomados, pode acolher até 348 presos no regime fechado, mas tem hoje somente 297. Os dados são da SAP.

O Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp) já havia feito um apelo ao STF para não enviar Lessa para nenhuma das unidades de Tremembé. A SAP também foi contra. Segundo o presidente do Sifuspesp, Fábio Jabá, os policiais penais são os mais vulneráveis quando chegam presos como o miliciano.

— O sindicato está preocupado com a segurança dos policiais penais, que serão a primeira barreira caso haja uma rebelião ou motim para assassinar o Lessa — prevê Jabá.

Na avaliação do sindicato, Lessa deveria ser levado para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) do Centro de Readaptação Penitenciária Dr. José Ismael Pedrosa, em Presidente Bernardes, no oeste de São Paulo. O RDD é composto por celas isoladas com grades e vidros blindados. Lá, o preso não se mistura com os outros detentos nem mesmo na hora do banho de sol, pois há uma área reservada para isso. A unidade tem vaga de sobra. Com capacidade para 145 presos, atualmente abriga somente 13, segundo dados da SAP.

— Só no RDD o Lessa teria toda a garantia prometida pelo ministro Alexandre de Moraes — diz Jabá.

Em nota, a SAP esclareceu que a internação do ex-policial no RDD somente seria possível por determinação judicial. “A decisão do Supremo Tribunal Federal estabeleceu que a inclusão do preso seja em unidade de Tremembé”, confirma a secretaria.

Com informações do GLOBO.

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