O Brasil registrou 940.799 casamentos em 2023, uma queda de 3% em relação a 2022. No mesmo período, o número de divórcios cresceu 5%, totalizando 440.827 separações. Os dados são da pesquisa Estatísticas do Registro Civil 2023, divulgada nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e revelam uma mudança significativa nas dinâmicas familiares e conjugais do país.
Segundo o levantamento, a taxa de nupcialidade — número de casamentos por mil pessoas com 15 anos ou mais — ficou em 5,6 no ano passado. É o segundo menor índice da série histórica iniciada em 1980, perdendo apenas para 2020, ano marcado pela pandemia, quando o índice foi de 4,5. No início da série, a taxa era de 12,2.
As maiores reduções de casamentos foram observadas nas regiões Sudeste (-5%) e Norte (-4%). Apenas o Centro-Oeste teve leve alta, de 0,8%. Entre os estados com maior proporção de casamentos, Rondônia lidera (9,1), seguido por Acre (8,5) e Distrito Federal (7,9). Já os menores índices foram registrados no Piauí (3,7), Sergipe (3,8) e Rio Grande do Sul (3,9).
Casamentos cada vez mais tardios
O IBGE também detectou mudanças nas faixas etárias dos noivos ao longo das últimas duas décadas. Em 2003, 87% dos homens que se casavam tinham entre 15 e 39 anos; em 2023, esse percentual caiu para 68%. Entre as mulheres, a redução foi de 91,8% para 75%. Por outro lado, o número de uniões entre pessoas com mais de 40 anos cresceu expressivamente. Os homens acima dessa faixa passaram de 13% para 31,3% dos noivos; e as mulheres, de 8,2% para 25%.
Os dados também revelam que os casamentos homoafetivos — que continuam representando uma minoria — registraram aumento, especialmente entre mulheres. Esses casais tendem a se casar mais tarde: em 2023, a idade média dos noivos em casamentos entre homens foi de 34,7 anos, e entre mulheres, 32,7. Já nas uniões entre sexos opostos, a média foi de 31,5 anos para homens e 29,2 anos para mulheres.
Também caiu a proporção de casamentos entre solteiros. Em 2003, 87% dos casais eram formados por pessoas que nunca haviam se casado. Em 2023, esse percentual caiu para 68,7%, com aumento nas uniões em que pelo menos um dos parceiros era divorciado.
Mais separações e por menos tempo
Os divórcios vêm crescendo de forma consistente. Em 2023, o país registrou 440.827 separações formais, sendo 82% delas por via judicial e 18% por meio extrajudicial. A maioria das separações (47,8%) ocorreu com menos de 10 anos de casamento. O tempo médio de duração da união até o divórcio também caiu: passou de 15,9 anos em 2010 para 13,8 em 2023.
A idade média no momento da separação foi de 41,4 anos para mulheres e 44,3 anos para homens. Em mais da metade dos casos (53,3%), os casais tinham filhos menores de idade.
A guarda compartilhada, modalidade prevista em lei desde 2014, cresceu consideravelmente e hoje já é aplicada em 42,3% dos divórcios com filhos menores. Ainda assim, em 45,5% das separações, a guarda ficou exclusivamente com a mãe.
Tendências e retratos de mudança
Os dados de 2023 mostram que o Brasil caminha para uma realidade conjugal marcada por casamentos mais tardios, menos frequentes e mais propensos à dissolução. Especialistas apontam que essas transformações refletem mudanças culturais, maior autonomia financeira das mulheres, novas formas de relacionamento e o impacto de eventos como a pandemia, que alteraram dinâmicas familiares e sociais.
O crescimento de divórcios, ao lado da queda na nupcialidade e da ampliação de modelos familiares diversos, sinaliza uma sociedade em transição, na qual o casamento tradicional já não ocupa o mesmo lugar de centralidade nas trajetórias individuais como em décadas anteriores.





