Número de divórcios cai pela primeira vez no Brasil em quatro anos, diz IBGE

IBGE registra redução de 2,8% nas separações e alta nas uniões civis, com mudanças no perfil das famílias e no comportamento conjugal

O Brasil registrou em 2024 a primeira queda no número de divórcios desde 2019, interrompendo uma sequência de quatro anos consecutivos de alta e revelando mudanças importantes nas dinâmicas familiares do país. Segundo as Estatísticas do Registro Civil divulgadas pelo IBGE nesta quarta-feira, foram contabilizadas 428.301 dissoluções de casamentos heterossexuais, uma retração de 2,8% em relação aos 440.827 casos registrados no ano anterior.

A diminuição contrasta com o período mais recente, marcado pelo impacto da pandemia, que intensificou separações e reorganizações familiares. Agora, o novo movimento ocorre em meio a transformações no perfil dos casais, no tempo de união e na forma como famílias compartilham responsabilidades após o fim do casamento.

Queda ocorre em quase todo o país e revela desigualdades regionais

A redução dos divórcios não foi uniforme pelo território brasileiro. Enquanto o Norte registrou alta expressiva de 9,1% nas separações, todas as demais regiões apresentaram queda: Sul (-1,4%), Sudeste (-2,5%), Nordeste (-3,1%) e Centro-Oeste (-11,8%), este último com o recuo mais acentuado.

Em 2024, a cada 100 casamentos heterossexuais realizados, houve 45,7 divórcios — proporção inferior à do ano anterior. A taxa geral atingiu 2,7 divórcios por mil habitantes com 20 anos ou mais, número puxado pelo Sudeste, onde o indicador chegou a 3,3 por mil.

Idade média cresce e duração dos casamentos diminui

Os homens continuam a se divorciar mais tarde que as mulheres. Em média, eles encerram o casamento aos 44,5 anos, enquanto elas se separam aos 41,6. Além disso, a duração das uniões segue diminuindo: passou de 16 anos em 2010 para 13,8 anos em 2024.

Segundo especialistas, a queda no tempo médio entre casamento e divórcio reflete um padrão mais contemporâneo de relações flexíveis, maior autonomia individual e o aumento de recasamentos, fenômeno que altera a composição dos casais e reduz a permanência das uniões.

Guarda compartilhada cresce e ultrapassa modelo tradicional

Entre os casais com filhos menores, as separações continuam predominantes, representando 45,8% das dissoluções judiciais em primeira instância. Mas a forma como esses casais organizam a guarda das crianças mudou de maneira significativa.

A guarda compartilhada, que era adotada em apenas 7,5% dos casos em 2014, alcançou 44,6% em 2024, ultrapassando pela primeira vez a guarda unilateral materna, agora em 42,6%. A mudança acompanha debates sobre corresponsabilidade parental e maior participação dos pais na rotina dos filhos.

Casamentos civis voltam a subir após anos de queda

Após longos anos de retração, os casamentos civis voltaram a crescer em 2024. Foram celebradas 948.925 uniões — alta de 0,9% em relação a 2023, embora o volume ainda esteja aquém do patamar pré-pandemia, quando o país superava a marca de 1 milhão de cerimônias anuais.

A expansão foi maior no Centro-Oeste (2,6%), seguido pelo Sul (2,3%) e Sudeste. O Nordeste foi o único a registrar queda (-1,4%).

Entre casais do mesmo sexo, o aumento foi ainda mais expressivo: 8,8% na comparação com o ano anterior, alcançando 12.187 registros, o maior número desde o início da série histórica, em 2013. As uniões entre mulheres seguem predominantes e representaram 64,6% das cerimônias. Centro-Oeste e Nordeste lideraram as altas, com crescimentos de 28,2% e 16,4%, respectivamente.

Uniões ficam mais tardias e recasamentos ganham protagonismo

Os dados mostram também que os brasileiros estão adiando cada vez mais o casamento. Homens solteiros se casam, em média, aos 31,5 anos, enquanto mulheres o fazem aos 29,3. Entre casais do mesmo sexo, as idades são ainda maiores: 34,7 anos para homens e 32,5 para mulheres.

O envelhecimento dos noivos está relacionado ao crescimento dos recasamentos. Em 2024, 31,1% das uniões heterossexuais envolveram pelo menos um cônjuge divorciado ou viúvo — percentual mais que duas vezes superior ao registrado em 2004, quando era de 13,5%.

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