Carnaval 2027: Grande Rio anuncia enredo sobre africanos libertos que retornaram a Gana

Com “Sankofa Tabon”, escola de Duque de Caxias vai contar a trajetória dos retornados da Costa do Ouro, atual Gana, e destacar ancestralidade, liberdade e reconstrução de laços com o continente africano

A Grande Rio anunciou o enredo que levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2027. A escola de Duque de Caxias vai apresentar “Sankofa Tabon – Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade”, narrativa sobre africanos escravizados que, depois de conquistarem a liberdade, retornaram ao continente africano e se estabeleceram na região onde hoje fica Gana.

O desfile vai abordar a trajetória desses homens e mulheres que fizeram o caminho de volta à Costa do Ouro, nome pelo qual era conhecida a região da África Ocidental. A proposta da escola é tratar o retorno não apenas como deslocamento físico, mas como reencontro com memórias, saberes, culturas e raízes interrompidas pela diáspora forçada.

A referência a Sankofa, símbolo associado à ideia de voltar ao passado para compreender o presente e construir o futuro, dá o tom da narrativa escolhida pela tricolor de Caxias. Já os Tabons representam os retornados que reconstruíram vínculos com o continente africano e ajudaram a marcar a formação cultural da região.

Com o enredo, a Grande Rio volta a apostar em uma temática ligada à ancestralidade africana, à liberdade e à valorização de histórias atravessadas pela escravidão, pela resistência e pela reconstrução de identidades. A escola também deve destacar a importância de Gana, país que se tornou a primeira nação independente da África Subsaariana.

O chamado do retorno

Na divulgação do enredo, a escola apresentou um texto em tom poético para introduzir a narrativa que será desenvolvida no desfile. O trecho evoca a figura de Sankofa como guia espiritual e simbólico do retorno às origens.

“O pássaro dourado entrou como um raio de sol pela janela, pousou em meu ombro e me disse quem eu sou. Sankofa — ele se apresentou. E me mostrou que o futuro da minha terra é ser livre!”, diz a apresentação.

Em outro trecho, a escola aponta para a travessia de volta ao continente africano:

“Vou embarcar nesse retorno à minha raiz, ao lado de outros irmãos, retornados como eu: Tabons. Que Xangô nos guie, que Nyame nos receba. Porque quem volta ao seu povo jamais caminha sozinho.”

A Grande Rio será mais uma vez responsável por levar à avenida uma narrativa centrada em memória, religiosidade, ancestralidade e identidade negra. O enredo sucede uma sequência recente de desfiles da escola marcados pela valorização de matrizes culturais afro-brasileiras e ameríndias.

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