Carlos aparece com celular em visita a Bolsonaro e pode ter violado regra do STF

Registro divulgado nas redes sociais mostra o ex-vereador segurando o aparelho durante visita ao ex-presidente preso, contrariando restrições estabelecidas pelo STF

Uma publicação feita pelo ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro nas redes sociais neste sábado (30) gerou questionamentos sobre o cumprimento das condições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por determinação da Corte.

Na imagem compartilhada por Carlos, pai e filho aparecem juntos durante uma visita. O detalhe que chamou atenção foi o fato de o ex-vereador estar segurando um aparelho celular enquanto posa ao lado do ex-presidente.

A situação levanta dúvidas porque uma das regras estabelecidas para o regime de prisão domiciliar prevê que visitantes entreguem seus telefones celulares aos agentes responsáveis pela fiscalização antes de ingressarem no local onde Jair Bolsonaro cumpre a medida.

Na legenda da publicação, Carlos Bolsonaro relatou que o pai enfrentou recentemente problemas de saúde relacionados a crises intensas de soluço.

“Anteontem e ontem, ele enfrentou fortes crises de soluço, que não evoluíram para um quadro mais grave por estar sendo monitorado em um ambiente adequado. Situação diferente da ocorrida na Papuda, quando sofreu uma broncoaspiração e, por muito pouco, não morreu”, escreveu.

A postagem rapidamente repercutiu nas redes sociais e passou a ser compartilhada por apoiadores e críticos do ex-presidente, que destacaram a presença do aparelho celular na imagem.

Prisão domiciliar por razões de saúde

Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 24 de março deste ano, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A medida foi concedida por um período de 90 dias e levou em consideração problemas de saúde apresentados pelo ex-presidente.

A autorização para o cumprimento da pena em casa ocorreu após a defesa alegar a necessidade de acompanhamento médico contínuo em razão das complicações decorrentes do atentado sofrido durante a campanha eleitoral de 2018 e de procedimentos cirúrgicos realizados nos anos seguintes.

Entre as condições impostas pela Justiça estão restrições relacionadas às visitas recebidas pelo ex-presidente e aos protocolos de fiscalização adotados pelas autoridades responsáveis pelo monitoramento da medida.

Condenação por trama golpista

Em setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por liderar a trama golpista investigada pela Corte.

O julgamento concluiu que o ex-presidente teve participação na articulação de ações destinadas a impedir a posse do presidente eleito após as eleições de 2022. A decisão marcou um dos processos mais relevantes da história recente do país e resultou na fixação da pena que atualmente é cumprida em regime domiciliar por motivos de saúde.

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