Capivara espancada na Ilha do Governador volta à natureza após dois meses de recuperação

Seis adultos foram presos e dois adolescentes apreendidos após espancamento do animal na orla do Quebra Coco

A Capivara que foi brutalmente espancada por um grupo de homens na Ilha do Governador voltou à natureza nesta quarta-feira (20), após passar cerca de dois meses em tratamento veterinário especializado.

O animal estava internado em uma clínica de recuperação de animais silvestres em Vargem Pequena desde março, quando foi resgatado em estado grave. Segundo os veterinários, a capivara sofreu traumatismo craniano, lesão severa em um dos olhos e diversas perfurações pelo corpo durante o ataque.

Por causa da gravidade dos ferimentos e do risco para a segurança do animal, a capivara não pôde ser devolvida à região onde costumava viver, no bairro do Jardim Guanabara.

Crime chocou moradores

O caso ganhou grande repercussão após imagens de câmeras de segurança mostrarem o momento em que o animal foi perseguido e agredido por um grupo de homens na orla do Quebra Coco, na madrugada do dia 21 de março.

Nas gravações, a capivara aparece caminhando pela rua quando os suspeitos surgem carregando pedaços de madeira. Em seguida, o animal tenta fugir, mas acaba cercado e atingido diversas vezes.

Mesmo ferida, a capivara conseguiu correr por alguns metros antes de cair no chão. Após a agressão, os envolvidos fugiram do local.

Na manhã seguinte, moradores encontraram o animal ainda vivo caminhando pela região e se escondendo em um terreno baldio. Equipes da Patrulha Ambiental foram acionadas para resgatar a capivara, que precisou ser sedada antes de ser encaminhada para atendimento veterinário.

Investigação identificou envolvidos

A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente identificou os envolvidos poucas horas após a divulgação das imagens.

Segundo a investigação, seis adultos foram presos e dois adolescentes apreendidos por participação no ataque. Os investigados foram denunciados pelo Ministério Público por maus-tratos contra animal com emprego de crueldade.

Moradores da Ilha do Governador afirmaram que a capivara fazia parte de uma família de animais silvestres que circulava há anos pela região e convivia de forma pacífica com a população local.

Recuperação mobilizou veterinários

O tratamento do animal mobilizou veterinários e especialistas em fauna silvestre ao longo dos últimos dois meses. A equipe médica acompanhou a recuperação da capivara até considerar que ela tinha condições de retornar à natureza.

A soltura foi realizada em uma área considerada adequada para a espécie, longe da região onde ocorreu a agressão.

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