O PSD oficializou neste domingo (26) a chapa formada pelo ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado e pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, na disputa pela Presidência da República. A convenção nacional da legenda foi realizada na sede da sigla, instalada no antigo Edifício Joelma, no centro de São Paulo.
Com a candidatura confirmada, Caiado inicia a campanha com o desafio de ampliar sua presença nas pesquisas eleitorais, reduzir a distância para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e tornar-se competitivo em uma eventual disputa de segundo turno contra o presidente Lula (PT).
Após a confirmação dos nomes, Caiado concedeu entrevista coletiva e buscou apresentar-se como uma opção distante das disputas que, segundo ele, desviam o foco dos problemas enfrentados pela população. O candidato afirmou que não pretende entrar em “brigas inúteis” e dirigiu críticas ao PT e, de forma indireta, a Flávio Bolsonaro.
“Sou um candidato com coragem para libertar o país do sequestro do PT e das facções. Não queremos um candidato que seja um ‘Kinder Ovo’, com uma surpresinha todo dia. Mas um candidato com vida pregressa que nunca se envolveu com rachadinha, mensalão, petrolão, escândalo do Master ou o das aposentadorias. Quem rouba com a mão esquerda, ou quem rouba com a mão direita, é ladrão”, declarou.
Críticas a Lula, Trump e Milei
Durante a coletiva, Caiado também criticou a escalada de declarações envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente da Argentina, Javier Milei, e o governo brasileiro.
Milei participou no sábado da convenção do PL que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Durante a passagem por São Paulo, o argentino também se reuniu com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), no Palácio dos Bandeirantes.
A presença de Milei nos atos políticos foi criticada por Lula e por integrantes do PT, que acusaram o presidente argentino de interferir no processo eleitoral brasileiro. Caiado, por sua vez, afirmou que os dois lados estariam alimentando conflitos para fugir de assuntos internos.
“O atual presidente quer de toda maneira provocar o presidente dos Estados Unidos. Do outro lado, as mesmas agressões acontecendo, insultando autoridades, no sentido de desviar dos assuntos dos quais deveria prestar esclarecimentos”, afirmou Caiado.
O candidato do PSD também prometeu defender mudanças na legislação penal para ampliar o rigor contra agressores de mulheres, estupradores e pedófilos. A declaração reforça a tentativa de associar sua candidatura a uma política de segurança pública mais dura, uma das principais bandeiras de sua trajetória política.
Ao falar sobre Kassab, Caiado elogiou a capacidade de articulação do dirigente partidário e destacou a experiência do ex-prefeito de São Paulo na construção de alianças.
Adversários internos declaram apoio
Os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná, chegaram durante a entrevista coletiva e declararam apoio à chapa escolhida pelo partido.
Os dois haviam participado da disputa interna pela candidatura presidencial do PSD. Ratinho Júnior desistiu de concorrer, enquanto Eduardo Leite demonstrou contrariedade com a escolha de Caiado antes de anunciar apoio ao ex-governador de Goiás.
A presença dos governadores foi interpretada como uma tentativa do partido de demonstrar unidade após o processo interno de definição da candidatura. O PSD busca evitar divisões regionais e reunir seus principais quadros em torno da chapa nacional.
Impedido de disputar a Presidência pelo DC, o ex-deputado federal Aldo Rebelo também participou da convenção e discursou em apoio a Caiado.
Ato público reforça discurso de segurança
Depois da convenção e da entrevista coletiva, Caiado, Kassab e seus aliados seguiram para um ato público nas proximidades da Praça da Bandeira, no centro de São Paulo.
Desde as primeiras horas da manhã, militantes ocuparam a área em frente ao palco com bandeiras, adesivos e materiais de campanha. O evento contou com discursos de dirigentes e apoiadores da chapa.
O jingle apresentado durante o ato descrevia Caiado como um “cara honesto e decente” e destacava propostas como “acabar com a bandidagem”, construir hospitais e ampliar a educação.
“Ele briga pelo povo, os outros brigam por poder”, dizia outro trecho da música, estruturada em formato de perguntas e respostas, sempre apresentando o candidato do PSD como solução para os problemas mencionados.
Com a convenção, Caiado tornou-se o terceiro candidato oficialmente confirmado na disputa presidencial. Também já tiveram os nomes homologados o ativista Renan Santos, do Missão, e o senador Flávio Bolsonaro, lançado pelo PL em evento realizado no sábado, na Arena Pacaembu.
A convenção do PL contou com a exibição de um vídeo produzido por inteligência artificial para simular um pronunciamento de Jair Bolsonaro e com um discurso de Javier Milei.
Ausência de Tarcísio provoca desconforto
Gilberto Kassab havia acertado a participação do governador Tarcísio de Freitas na primeira parte do evento. A programação previa que o diretório estadual do PSD anunciasse apoio à tentativa de reeleição do governador paulista.
Aliado de Flávio Bolsonaro, Tarcísio não compareceu à cerimônia. Internamente, integrantes do PSD atribuíram a ausência a uma publicação feita por Kassab nas redes sociais, na qual o governador teria sido associado à candidatura de Caiado.
O partido também convidou o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), e o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário estadual de Segurança Pública. Os dois são candidatos ao Senado.
Felício Ramuth, que deixou o PSD e se filiou ao MDB para voltar a compor a chapa estadual como candidato a vice-governador, não foi convidado para o encontro.





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