Caiado é confirmado pré-candidato à Presidência pelo PSD e promete anistia a Bolsonaro como primeiro ato

Governador de Goiás assume protagonismo na disputa de 2026 e tenta se consolidar como alternativa à polarização nacional

O PSD oficializou nesta segunda-feira (30) a pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República nas eleições de 2026. O anúncio ocorreu na sede nacional do partido, em São Paulo, e consolida o nome de Caiado como aposta da sigla liderada por Gilberto Kassab para o Palácio do Planalto.

Durante o evento, Caiado afirmou que, caso seja eleito, seu primeiro ato será conceder anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado. “Meu primeiro ato vai ser exatamente anistia ampla, geral e irrestrita, replicando aquilo que Juscelino Kubitschek soube fazer com muita maestria”, declarou o governador, ao citar episódios históricos envolvendo a Aeronáutica.

Disputa interna e consolidação do nome

A escolha de Caiado encerra uma disputa interna dentro do PSD. O governador do Paraná, Ratinho Junior, chegou a ser cotado, mas desistiu da corrida. Já o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também era mencionado como possível candidato, mas acabou preterido.

A decisão gerou reações distintas dentro do partido. Ratinho Junior elogiou a escolha e sinalizou alinhamento, enquanto Eduardo Leite criticou o movimento, afirmando que ele “tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país”.

Trajetória política e reposicionamento

Aos 76 anos, Ronaldo Caiado tem uma longa trajetória na política. Médico e cirurgião de formação, foi deputado federal por cinco mandatos consecutivos a partir de 1991. Em 2014, elegeu-se senador por Goiás e, quatro anos depois, conquistou o governo estadual, sendo reeleito em 2022.

Historicamente ligado ao antigo PFL — que posteriormente se tornou DEM e, mais tarde, integrou o União Brasil —, Caiado deixou a legenda em janeiro deste ano após não obter apoio interno para disputar a Presidência. Sua filiação ao PSD marcou um reposicionamento estratégico para viabilizar a candidatura nacional.

Relação com Bolsonaro e estratégia eleitoral

Apesar de ter se afastado de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, Caiado voltou a se aproximar do ex-presidente nos últimos anos. A promessa de anistia reforça a tentativa de conquistar o eleitorado bolsonarista, especialmente após Bolsonaro se tornar inelegível e seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), despontar como herdeiro político.

Com esse movimento, o PSD busca oferecer uma alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o campo bolsonarista, embora a escolha de Caiado possa, na prática, intensificar esse cenário.

Calendário eleitoral

De acordo com o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as convenções partidárias que oficializarão os candidatos à Presidência ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026. Já o prazo final para o registro das candidaturas será 15 de agosto.

Até lá, Caiado deverá percorrer o país em busca de alianças e consolidar sua imagem como candidato competitivo em uma disputa que promete ser marcada por forte polarização política.

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