Candidato à presidência do PT, Rui Falcão vota para derrubar decreto do IOF e alega erro

Único petista a apoiar a derrubada, deputado afirmou que voto foi equivocado e já pediu correção na Câmara

Em meio à crescente tensão entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, o deputado federal Rui Falcão (PT-SP), ex-presidente do Partido dos Trabalhadores e candidato à presidência da legenda, protagonizou um episódio inusitado ao votar pela derrubada do decreto que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Segundo o parlamentar, o voto foi um engano, e ele já solicitou à Câmara dos Deputados a retificação.

A informação foi divulgada pelo jornal O Globo, que ouviu o deputado nesta quarta-feira (25). “Já pedi para retificar”, declarou Falcão à reportagem, assegurando que apoia a medida do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, responsável pela proposta que visava aumentar a arrecadação federal.

Falcão foi o único deputado do PT a votar a favor do projeto de decreto legislativo que anulou a medida do governo. O episódio chamou atenção por ocorrer justamente enquanto o parlamentar disputa a presidência nacional do partido com Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara (SP), que conta com o apoio direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e é apontado como favorito.

Apesar do suposto equívoco, essa não é a primeira vez que Falcão se distancia de medidas econômicas do governo. No final de 2024, ele votou contra um pacote fiscal articulado por Haddad que envolvia a contenção do reajuste do salário mínimo e mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC). “Naquela ocasião, estavam em jogo direitos sociais, o que não ocorre agora”, justificou.

A votação que anulou o aumento do IOF, imposto que incide sobre operações financeiras como câmbio e crédito, foi mais um capítulo da crise entre Executivo e Legislativo. O projeto de decreto legislativo contou com apoio expressivo de partidos que integram ou apoiam o governo, o que evidenciou a fragilidade da articulação política do Planalto.

Segundo levantamento da própria Câmara, partidos com ministérios no governo Lula foram responsáveis por 63% dos votos favoráveis à derrubada do decreto. Bancadas como União Brasil, PP, MDB e PDT votaram majoritariamente a favor do texto que anulou a medida do Executivo, enquanto PSD e PSB, também aliados, tiveram maioria de votos na mesma direção.

A derrota impôs ao governo um revés considerável, não apenas em termos fiscais — o Ministério da Fazenda calcula uma perda de até R$ 10 bilhões em arrecadação —, mas também no plano político, ao expor a instabilidade da base aliada em votações estratégicas no Congresso.

A medida ainda precisa ser referendada pelo Senado, mas já representa uma demonstração clara de insatisfação de parte significativa do Congresso com a condução econômica e política do Executivo. O caso de Rui Falcão, ainda que justificado como erro, evidencia o momento delicado vivido pelo governo junto aos seus próprios aliados.

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