Em mais um sinal do desgaste da articulação entre o governo federal e o Congresso Nacional, partidos com ministérios no governo Luiz Inácio Lula da Silva foram responsáveis por 63% dos votos favoráveis ao projeto de decreto legislativo que derruba o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A informação foi publicada originalmente pelo jornal O Globo.
A proposta foi aprovada nesta quarta-feira (25) na Câmara dos Deputados por ampla maioria: 383 votos a favor e 98 contra. A iniciativa representa uma derrota significativa para o Palácio do Planalto, uma vez que contou com o apoio quase unânime de siglas que integram a base aliada, como União Brasil, PP, MDB e PDT.
O União Brasil, por exemplo, registrou 58 votos favoráveis entre seus 60 parlamentares. O PP votou com o governo em apenas dois casos, tendo 48 dos seus 50 deputados apoiando a derrubada do decreto. O MDB teve 41 votos favoráveis de um total de 44, e o PDT, 16 de 17.
Outras legendas da base também aderiram majoritariamente à proposta: o PSD teve 28 votos a favor entre 45 deputados, e o PSB, nove de seus 15 integrantes.
A votação foi articulada de forma repentina pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e não constava da agenda oficial até a noite anterior. A reação imediata foi interpretada como uma demonstração de insatisfação com a condução da política econômica e da articulação política do Executivo, especialmente com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
No Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), já sinalizou que a proposta deve ser aprovada ainda nesta quarta, dando continuidade ao revés imposto ao governo.
Outro fator simbólico do embate institucional é que os relatores da matéria tanto na Câmara quanto no Senado são parlamentares do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro — adversário direto de Lula e figura central na oposição ao governo atual.
No PT, apenas um voto contrário foi registrado: o do deputado Rui Falcão (SP), que alegou ter votado por engano e solicitou correção no sistema da Câmara. Outros partidos da base que controlam pastas no governo, como PSOL, Rede e PCdoB, não registraram votos contrários.
Distribuição dos votos favoráveis por partidos com ministérios no governo:
- União Brasil – 58 de 60
- PP – 48 de 50
- Republicanos – 42 de 44
- MDB – 41 de 44
- PDT – 16 de 17
- PSD – 28 de 45
- PSB – 9 de 15
A votação reforça a instabilidade da base governista no Congresso, mesmo entre partidos que ocupam cargos estratégicos na Esplanada dos Ministérios. O resultado amplia a pressão sobre o Planalto para rever sua estratégia de relacionamento com o Legislativo.





