Câmara do Rio adia pela 21ª vez votação do projeto que autorizaria uso de armas pela Guarda Municipal

Dr. Gilberto (Solidariedade) sugeriu que vereadores aguardem pelo menos mais três sessões para que a prefeitura apresente uma proposta oficial sobre o tema

A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro adiou pela 21ª vez a análise do projeto de emenda à Lei Orgânica que permitiria o uso de armas pela Guarda Municipal. O pedido de adiamento foi feito pelo vereador Dr. Gilberto (Solidariedade), que sugeriu que os vereadores aguardem pelo menos mais três sessões para que a prefeitura apresente uma proposta oficial sobre o tema.

O projeto, que está em tramitação na casa desde 2018, precisa de 34 votos para ser aprovado e volta ao plenário em um momento de intensa atividade eleitoral.

Dr. Gilberto, ao justificar o adiamento, destacou a grave situação de segurança pública na cidade, mencionando que foi assaltado por três homens armados no último sábado.

– Estamos convivendo com uma calamidade na segurança pública da nossa cidade. A discussão desse tema vem se arrastando há muito tempo nessa casa – afirmou o vereador.

Ele também lembrou que o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública enviaram um ofício à Câmara no fim de junho expressando preocupações sobre o projeto.

As entidades alertaram que a medida poderia configurar um desvio de função e trazer riscos à segurança pública, caso os agentes não recebam o treinamento adequado. Elas sugeriram, ainda, a criação de um Plano Municipal de Segurança Pública que detalhasse o papel da Guarda Municipal.

Segundo o vereador, o secretário de Ordem Pública, Breno Carnevalle, deve apresentar uma proposta sobre o tema aos vereadores nos próximos dias, embora a Seop não tenha confirmado a informação.

O armamento da Guarda Municipal é um tema recorrente nas promessas de campanha dos candidatos a prefeito do Rio. Eduardo Paes (PSD), que busca a reeleição, propõe que apenas os setores de elite da Guarda, como Operações Especiais, Tático Móvel e Ronda Maria da Penha, possam portar armas de fogo, e isso apenas após passarem por um rigoroso treinamento.

Alexandre Ramagem (PL) também apoia o armamento de “setores específicos” da GM. Em contrapartida, Tarcísio Motta tem se manifestado contra a ideia em diversas ocasiões, enquanto Marcelo Queiroz (PP) expressou recentemente ser contrário ao armamento dos agentes “neste momento”.

Além dessa discussão, os vereadores aprovaram, nesta terça-feira, em segunda votação, um projeto de lei da vereadora Vera Lins (PP) que prorroga indefinidamente a vida útil dos táxis na cidade.

Atualmente, os táxis só podem circular por até dez anos. Vera justificou a medida argumentando que muitos motoristas enfrentam dificuldades financeiras para trocar de carro. Em junho, quando o projeto foi aprovado em primeira discussão, o Sindicato dos Taxistas Autônomos do Município do Rio (SttamRJJ) estimou que, dos 33 mil táxis em operação na cidade, cerca de 5 mil (ou 15% do total) já haviam ultrapassado o limite de dez anos.

Alan Ramos, diretor de comunicação do sindicato, apoia a mudança, mas ressalta a importância de que a prefeitura fiscalize adequadamente os veículos que excederem a idade limite.

– A pandemia afetou financeiramente os taxistas. Vemos como positiva a medida, desde que a prefeitura consiga fiscalizar esses veículos que vão passar da idade – afirmou Alan.

O projeto agora segue para a análise do prefeito Eduardo Paes.

Com informações de O Globo.

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