A Alerj realiza nesta sexta-feira (17), com previsão para 9 horas da manhã, a eleição para definir seu novo presidente em um cenário marcado por disputa política intensa, embates judiciais e influência indireta do STF. O processo ocorre em meio à reorganização do poder no estado após a saída do ex-governador Cláudio Castro.
A disputa envolve, de um lado, o PL, que possui maioria na Casa, e, de outro, um bloco de partidos alinhados ao ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que se posiciona como pré-candidato ao governo estadual.
Disputa política ganha força com apoios divergentes
Os aliados de Paes — incluindo PSD, MDB, Podemos, PT, PDT, PSB, Cidadania, PCdoB e PV — lançaram o deputado Vitor Junior como candidato à presidência da Alerj. Ele também conta com apoio do PSOL.
No entanto, o grupo condiciona a participação na eleição à adoção do voto secreto, medida que vem sendo defendida por ministros do STF em outros contextos políticos sensíveis, especialmente para reduzir possíveis pressões externas, como influência do crime organizado.
PL defende voto aberto e mantém candidatura própria
Em oposição, o PL sustenta a candidatura do deputado Douglas Ruas, que já havia vencido uma eleição anterior posteriormente anulada pela Justiça. O partido insiste na manutenção do voto aberto, conforme previsto no regimento interno da Alerj.
A divergência sobre o modelo de votação se tornou o principal ponto de tensão entre os grupos e pode influenciar diretamente o resultado final da eleição.
Decisões judiciais impactam cenário da eleição
A tentativa do PDT de estender a obrigatoriedade do voto secreto para a eleição da Alerj foi rejeitada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que negou liminar sobre o tema. A decisão mantém, por ora, as regras atuais da Casa.
Além disso, o STF exerce influência no cenário político estadual ao determinar que o comando do governo permaneça com o Judiciário até a definição de um novo chefe do Executivo.
O STF teve o julgamento do processo, que definiria como seria a eleição na Alerj, interrompido pelo ministro Flávio Dino, que pediu vistas para aguardar o acórdão do TSE sobre a cassação e inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro. que renunciou ao mandato no dia anterior à decisão final da Corte eleitoral. No momento da paralisação, o placar estava 4 a 1 pela eleição indireta na Alerj, com voto secreto mas a Justiça determinou o voto aberto para a eleição.
Governo do estado segue sob comando interino
Atualmente, o estado do Rio de Janeiro segue sob administração do desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça. A medida foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, contrariando a linha sucessória tradicional prevista na Constituição estadual.
A decisão gerou críticas dentro do PL, que vê na medida uma interferência do STF na política estadual.
Vacância na Presidência motivou nova eleição
A nova eleição ocorre após a cassação do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Antes disso, ele já estava afastado do cargo por investigações relacionadas ao vazamento de informações em uma operação policial.
Com a cassação definitiva, a vaga foi oficialmente aberta, permitindo a realização de uma nova eleição. O vice-presidente Guilherme Delaroli chegou a assumir interinamente, mas não pôde avançar na linha sucessória do governo estadual.
Histórico recente Inclui eleição anulada
Em março, a Alerj chegou a eleger Douglas Ruas com 45 votos, mas a votação foi anulada pela Justiça por ter ocorrido antes da retotalização dos votos após a cassação de Bacellar. A recontagem, no entanto, não alterou a composição da Casa.
O episódio reforçou a instabilidade política no Legislativo fluminense e contribuiu para o atual cenário de disputa acirrada. O eleito como presidente da Alerj não assumirá de pronto o governo do Estado no lugar do desembargador Ricardo Couto por decisão do STF.






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