Câmara aprova urgência para projeto que criminaliza a misoginia

Requerimento foi aprovado por 293 votos a 158 e permite que a proposta seja votada diretamente no plenário

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (1º) o regime de urgência para o Projeto de Lei (PL) 896/2023, que propõe criminalizar a misoginia ao equipará-la aos crimes previstos na Lei do Racismo. O requerimento recebeu 293 votos favoráveis e 158 contrários, permitindo que a proposta seja analisada diretamente pelo plenário, sem passar pelas comissões da Casa.

A aprovação da urgência acelera a tramitação do projeto, mas o mérito da proposta ainda precisará ser votado pelos deputados.

O que prevê o projeto

O texto altera a Lei nº 7.716/1989, conhecida como Lei do Racismo, e também o Código Penal para incluir a misoginia — definida como ódio, aversão ou discriminação contra mulheres — entre as condutas criminalizadas pela legislação.

A proposta foi elaborada por um grupo de trabalho coordenado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e teve seu parecer aprovado em maio.

“A aprovação da urgência é um avanço civilizatório essencial”, disse a parlamentar. Ela afirmou ainda “que a misoginia representa um fenômeno estrutural marcado por desigualdades históricas de gênero”.

Votação antes do recesso

A expectativa é que o projeto seja levado ao plenário antes do início do recesso parlamentar, conforme articulação conduzida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que tem defendido prioridade para propostas voltadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres.

Embora a urgência tenha sido aprovada, líderes partidários reconhecem que ainda não há consenso para a votação do mérito da matéria.

Debate sobre o texto

Parlamentares de bancadas conservadoras defendem alterações na proposta, especialmente em dispositivos relacionados à liberdade religiosa e à liberdade de expressão.

Esses setores argumentam que o texto precisa trazer garantias de que a criminalização da misoginia não será utilizada para restringir manifestações religiosas ou opiniões protegidas pela Constituição.

Com a aprovação do requerimento, caberá agora ao plenário da Câmara decidir se aprova ou não o conteúdo do projeto.


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