Brasileiros deportados de Israel relatam tortura psicológica e perda de pertences

Grupo chegou exausto e faminto à Jordânia após dias de prisão e isolamento

Os 13 brasileiros que foram detidos por Israel durante uma missão humanitária com destino a Gaza descreveram uma rotina de tortura psicológica, revistas constantes e confisco de objetos pessoais. De acordo com os relatos feitos à embaixada do Brasil na Jordânia, segundo informações do repórter Lauro Jardim, em O Globo, eles também tiveram o sono interrompido repetidamente e passaram dias sem acesso adequado a comida.

Chegada à Jordânia e acolhimento
O grupo desembarcou na Jordânia por volta das 11h30 (horário local) desta terça-feira, já debilitado e emocionalmente esgotado. Três dos homens estavam em greve de fome. Na fronteira, receberam lanches providenciados pelas autoridades brasileiras e foram levados a um hotel em Amã, capital do país.

‘Depauperados pela experiência’
O embaixador brasileiro em Amã, Márcio Fagundes, afirmou que, apesar de não haver registros de agressão física, os detidos enfrentaram severo desgaste emocional. “Houve tortura psicológica. O sono era interrompido, as luzes permaneciam acesas, tocava música alta, e as celas eram constantemente vasculhadas”, relatou o diplomata.

Tratamento hostil e falta de assistência médica
Segundo o embaixador, os brasileiros foram submetidos a gritos e humilhações durante o encarceramento. “Relataram que ficaram sob o sol forte, agachados, com a testa encostada no chão, e não receberam o atendimento médico solicitado”, contou Fagundes. Parte do grupo, que depende de medicamentos de uso contínuo, chegou à Jordânia sem os remédios e com quase todos os pertences apreendidos — incluindo celulares, laptops, dinheiro e cartões.

Recomeço e repatriação em andamento
Após a deportação, os ativistas conseguiram entrar em contato com suas famílias utilizando os telefones da embaixada. Como as ligações por WhatsApp são bloqueadas na Jordânia, o próprio embaixador disponibilizou seu aparelho pessoal. Roupas e medicamentos foram providenciados, e a deputada Luizianne Lins (PT-CE), que também integrava a flotilha, ajudou a adquirir itens de uso básico, especialmente para as mulheres.

“Eles estão esgotados emocionalmente, mas orgulhosos e confiantes na missão que cumpriram”, afirmou o embaixador. “Agora, o foco é repatriá-los.” Ainda não há informações oficiais sobre quando e como o retorno ao Brasil será realizado.

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