Ativistas brasileiros presos por Israel deixam o país após uma semana de detenção e seguem para a Jordânia

Grupo da flotilha Global Sumud tentava levar ajuda humanitária a Gaza e denuncia bloqueio israelense à região

Os treze brasileiros detidos por Israel durante a missão humanitária da flotilha Global Sumud foram libertados nesta terça-feira (7) e já deixaram o país com destino à Jordânia. O grupo foi preso em águas internacionais enquanto tentava levar ajuda à população da Faixa de Gaza, segundo os organizadores da expedição.

Libertação e apoio diplomático

De acordo com fontes diplomáticas, os brasileiros estão em bom estado de saúde e seguem viagem para Amã, capital da Jordânia. Eles foram transportados da prisão de Ktzi’ot, localizada no deserto do Neguev, até a fronteira com a Jordânia sob escolta das autoridades israelenses.

Na passagem de fronteira, os ativistas foram recebidos por representantes da Embaixada do Brasil em Tel Aviv e, já em território jordaniano, passaram a ser acompanhados por diplomatas da embaixada brasileira em Amã. Segundo o Itamaraty, todos receberão assistência consular e passarão por exames médicos antes de retornarem ao Brasil.

Participação brasileira e missão da flotilha

A flotilha Global Sumud, composta por ativistas de diversos países, tinha como meta romper simbolicamente o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza desde 2007. O grupo pretendia entregar alimentos, medicamentos e outros itens de ajuda humanitária à população local.

Entre os brasileiros a bordo estavam o ativista Thiago Ávila, que já havia sido detido por Israel em maio durante uma missão semelhante, e a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE). Também integravam a comitiva a vereadora Mariana Conti (PSOL), de Campinas, a presidente estadual do PSOL no Rio Grande do Sul, Gabrielle Tolotti, e o sindicalista Magno de Carvalho Costa, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp).

Além dos brasileiros, há registros de ativistas da Argentina, Colômbia, África do Sul e Nova Zelândia detidos na operação. Fontes internacionais indicam que todos deverão ser libertados ainda nesta terça-feira.

Relatos de maus-tratos e tensão diplomática

O único integrante da delegação a deixar Israel antes dos demais foi Nicolás Calabrese, cidadão argentino com nacionalidade italiana que vive no Brasil há mais de uma década. Ao desembarcar na noite de segunda-feira no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, ele relatou ter sofrido maus-tratos e afirmou que as forças israelenses agiram como terroristas.

Ainda não há confirmação sobre quando o restante do grupo retornará ao Brasil. O Ministério das Relações Exteriores segue em contato com as autoridades israelenses e jordanianas para coordenar a repatriação.

Nicolas Calabrese, primeiro a ser libertado, desembarca no aeroporto do Galeão em 6 de outubro de 2025. Nicolas é integrande da comitiva brasileira da flotilha que foi preso e deportado por Israel. Ele é nascido na Argetina e tem cidadania italiana, mas vive no Rio de Janeiro

Simbolismo da libertação e denúncia de bloqueio

A libertação ocorre no mesmo dia em que o genocídio em Gaza completa dois anos. Desde 2023, o conflito já deixou dezenas de milhares de mortos e agravou uma crise humanitária sem precedentes na região.

Em nota, os organizadores da Global Sumud afirmaram que a missão tinha como objetivo denunciar o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza, o qual, segundo eles, se transformou “desde março deste ano em um cerco total, impedindo a entrada de alimentos e medicamentos”.

O comunicado também acusa Israel de “praticar genocídio e limpeza étnica contra os palestinos” e afirma que “a fome e o bloqueio em Gaza são usados como instrumentos de controle”.

Para os ativistas, a libertação dos brasileiros tem valor simbólico. “A liberdade dos nossos integrantes no dia 7 de outubro carrega um símbolo de resistência, mas também nos lembra que não há liberdade verdadeira enquanto o cerco persistir”, diz o texto. “É urgente que a comunidade internacional atue de forma concreta para pôr fim à ocupação e garantir a liberdade do povo palestino.”

Contexto regional e repercussões

A prisão e posterior libertação dos integrantes da flotilha ocorrem em um momento de forte tensão no Oriente Médio. Israel mantém restrições severas à entrada de suprimentos em Gaza, justificando as medidas como necessárias para conter o Hamas. Organizações humanitárias, no entanto, afirmam que o bloqueio tem provocado fome e falta de medicamentos em larga escala.

A participação de parlamentares e lideranças políticas brasileiras na missão tende a reacender o debate diplomático entre Brasília e Tel Aviv sobre o papel do Brasil nas ações humanitárias ligadas ao conflito. Até o momento, o governo brasileiro não se pronunciou oficialmente sobre o episódio.

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