A promotora Andréa Fava destacou, durante o segundo dia do júri popular que julga os acusados pela morte do contraventor Fernando Iggnácio, a participação de ex-policiais militares entre os investigados pelo crime. O julgamento de dois irmãos e ex-agentes da PM teve início nesta sexta-feira (17).
Segundo a representante do Ministério Público, pelo menos quatro pessoas relacionadas ao caso já tiveram vínculo com a Polícia Militar. Durante a fala no plenário, a promotora classificou como um dos pontos mais graves do caso a suposta cooptação de agentes públicos pela contravenção.
“Esse é um aspecto nefasto, a cooptação de agentes da lei, que deveriam zelar pela sociedade, pela repressão do crime, agentes que são cooptados pela grande máfia da contravenção, do capo Rogério Andrade, que responde como mandante deste crime em outro processo. Temos também Márcio Araújo que fazia a ponte entre os executores e o Rogério Andrade”, afirmou.
Entre os ex-agentes estão Rodrigo Silva das Neves, condenado a mais de 32 anos de prisão pelo assassinato, Márcio Araújo de Souza, apontado como homem de confiança de Rogério Andrade e que responde pelo crime, e Pedro e Otto D’Onofre Andrade, que são julgados nesta sexta-feira.
Os promotores do Grupo de Atuação Especializada em Júri (Gaejuri) também mencionaram a disputa pelo controle do jogo do bicho no Rio envolvendo Fernando Iggnácio e Rogério Andrade. Segundo o MP, os dois integravam grupos rivais e protagonizaram uma disputa pela sucessão do bicheiro Castor de Andrade.
Pedro Emanuel D’onofre Andrade e Otto Samuel D’onofre Andrade respondem por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Eles são acusados de envolvimento na morte de Fernando Iggnácio.





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