Brasil e Estados Unidos vão retomar as negociações sobre o tarifaço imposto a produtos brasileiros. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, terão uma reunião virtual na próxima segunda-feira (31), às 14h30, pelo horário de Brasília.
O encontro será a primeira etapa de uma nova agenda de conversas técnicas entre os dois países. A prioridade inicial do governo brasileiro é ampliar a lista de produtos isentos das tarifas americanas. Em uma fase posterior, a intenção é discutir a reversão das medidas adotadas pelos Estados Unidos.
Negociação retomada após conversa de Lula e Trump
A reunião foi acertada após troca de mensagens entre Márcio Elias Rosa e Greer e ganhou impulso depois do telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, realizado na semana passada. Segundo o governo brasileiro, a conversa entre os dois durou cerca de 1h20.
De acordo com o Palácio do Planalto, Lula afirmou que as tarifas prejudicam as economias dos dois países e defendeu a retomada das negociações. Trump concordou com a necessidade de preservar as relações comerciais e sugeriu que as equipes técnicas voltassem a se reunir rapidamente.
Após a ligação, Greer procurou o ministro brasileiro para reabrir o canal de negociação. Na última sexta-feira (21), Márcio Elias Rosa já havia informado que os dois governos trabalhavam para definir uma data e reconstruir o processo de diálogo.
Brasil quer ampliar lista de produtos isentos
As delegações dos dois países já haviam mantido contatos anteriormente, mas sem alcançar um entendimento. Desde o anúncio das tarifas, o governo brasileiro contabiliza mais de 30 contatos com autoridades americanas em diferentes níveis.
Os Estados Unidos aplicaram neste ano duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. A primeira acrescentou 25% sobre parte das exportações após uma investigação comercial americana. Posteriormente, uma nova tarifa de 12,5% elevou para 37,5% a alíquota total cobrada sobre parte dos produtos brasileiros.
Milhares de itens, porém, ficaram fora da cobrança adicional, entre eles petróleo, café e carne bovina. Outros setores, como calçados, máquinas, madeira e açúcar, continuam submetidos à tarifa máxima.
Agora, o governo brasileiro aposta que a nova rodada de conversas técnicas poderá ampliar as exceções e abrir caminho para um acordo capaz de reduzir os efeitos do tarifaço sobre as exportações do país.







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