Bolsas asiáticas e europeias abrem em alta após anúncio de acordo preliminar entre EUA e Irã

Possível trégua impulsiona bolsas globais, derruba preços do petróleo e reduz temor de crise no transporte marítimo internacional

Os mercados financeiros globais iniciaram a semana em forte alta após a divulgação de um acordo preliminar destinado a encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã e garantir a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio mundial de petróleo.

A perspectiva de redução das tensões geopolíticas trouxe alívio imediato aos investidores, que vinham enfrentando meses de volatilidade desde o agravamento do conflito no fim de fevereiro. O resultado foi uma onda de valorização nas principais bolsas do mundo, acompanhada por uma expressiva queda nos preços internacionais do petróleo.

O movimento reflete a expectativa de normalização do fluxo de mercadorias e combustíveis em uma região considerada vital para o abastecimento energético global.

Ásia lidera rali global

As bolsas asiáticas encerraram o pregão desta segunda-feira com ganhos expressivos, lideradas pelo mercado japonês.

O índice Nikkei 225, da Bolsa de Tóquio, avançou 5% e atingiu o recorde histórico de 69.317,50 pontos. O desempenho foi impulsionado principalmente por ações ligadas aos setores de tecnologia, inteligência artificial e exportação, que se beneficiam da redução dos riscos geopolíticos.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi registrou valorização ainda maior, com alta de 5,2%. Já na China, o Shanghai Composite fechou em alta de 1,6%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,6%.

Outros mercados da região também acompanharam o otimismo. O Sensex, principal índice da Índia, subiu 1,2%, enquanto o Taiex, de Taiwan, avançou 2,8%.

Europa acompanha movimento positivo

O clima favorável se espalhou rapidamente para os mercados europeus.

Nas primeiras horas de negociação, o índice DAX, da Alemanha, registrava alta de 1,7%, operando próximo dos 25 mil pontos. O CAC 40, da França, também avançava 1,7%, refletindo a melhora das perspectivas econômicas diante da possível redução dos custos energéticos.

Em Londres, o FTSE 100 apresentava valorização de 0,8%, acompanhando o desempenho positivo dos demais mercados do continente.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros apontavam para uma abertura em alta em Wall Street. O índice S&P 500 futuro avançava 1,2%, sinalizando uma sessão de forte recuperação para os ativos estadunidenses.

Petróleo registra forte queda

O impacto mais imediato do anúncio diplomático foi observado no mercado de energia.

O petróleo Brent, referência internacional, caiu US$ 4,08 e passou a ser negociado a US$ 83,25 por barril. Já o WTI, principal referência do mercado dos EUA, recuou US$ 4,51, chegando a US$ 80,37 por barril.

A queda reflete a expectativa de que a reabertura do Estreito de Ormuz permita a retomada plena do transporte de petróleo e derivados na região, reduzindo o risco de escassez e de novos choques de oferta.

Durante os meses de conflito, os preços haviam sido pressionados pelo temor de interrupções no tráfego marítimo e por incertezas relacionadas ao abastecimento global.

Alívio não elimina cautela

Apesar da reação positiva dos mercados, especialistas alertam que o processo de normalização ainda pode levar algum tempo.

Empresas de navegação, seguradoras e operadores logísticos aguardam a formalização do acordo e a confirmação de que os compromissos assumidos pelas partes serão efetivamente cumpridos antes de retomar operações em escala total.

A avaliação predominante é que a redução dos custos de transporte marítimo, seguros e combustíveis poderá ocorrer de forma gradual nos próximos meses, dependendo da estabilidade política e militar na região.

Assinatura está prevista para sexta-feira

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou o entendimento preliminar e autorizou o encerramento do bloqueio naval que afetava portos iranianos.

Do lado iraniano, autoridades também reconheceram avanços nas negociações, mas ressaltaram que a implementação das medidas depende da assinatura oficial do acordo.

A formalização do documento está prevista para ocorrer na próxima sexta-feira, durante um encontro diplomático na Suíça.

Até lá, os investidores continuarão monitorando os desdobramentos das negociações e a disposição das partes em cumprir os termos estabelecidos.

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