O preço do petróleo disparou neste domingo (1º) após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, ampliando a crise no Oriente Médio e elevando o temor de desabastecimento global. O barril do tipo Brent, referência internacional, subiu 10% no mercado de balcão e chegou a cerca de US$ 80. Analistas já projetam que a cotação pode alcançar US$ 100 nos próximos dias.
A forte alta ocorre em meio ao risco de interrupção no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo. Segundo a agência Reuters, após alertas emitidos por Teerã sobre a travessia na região, armadores de petroleiros e grandes empresas de energia suspenderam o transporte de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito pela área.
Na sexta-feira (27), antes da confirmação dos ataques, o Brent já havia fechado a US$ 73 por barril, o maior patamar desde julho. A valorização refletia a crescente tensão entre os países e a expectativa de uma escalada militar, que se confirmou no sábado (28)
Mercado fechado e pressão nos contratos
O mercado futuro do petróleo, onde são negociados contratos com liquidação em datas posteriores, permanece fechado durante o fim de semana. Mesmo assim, operadores do setor registraram avanço expressivo nas negociações no mercado de balcão, antecipando volatilidade quando as bolsas reabrirem.
Especialistas do setor energético avaliam que, caso o conflito se intensifique ou haja bloqueio efetivo no Estreito de Ormuz, o barril pode rapidamente atingir a faixa entre US$ 90 e US$ 100.
Opep+ anuncia aumento na produção
Em meio à disparada dos preços, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+) informou neste domingo que ampliará a produção em 206 mil barris por dia. O volume é superior à expectativa inicial, de 137 mil barris, mas ainda abaixo dos 411 mil barris diários que vinham sendo discutidos após os ataques.
A decisão busca sinalizar estabilidade ao mercado, mas analistas apontam que o aumento pode não ser suficiente para compensar eventuais interrupções logísticas na região do Golfo Pérsico.
Escalada militar no Oriente Médio
No sábado (28), forças militares de Israel e dos Estados Unidos realizaram uma série de ataques aéreos coordenados contra alvos no Irã, descritos como estratégicos e voltados a estruturas militares e de liderança. Autoridades iranianas confirmaram a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989, além de outros altos oficiais.
O governo iraniano decretou 40 dias de luto oficial. Aliados de Teerã condenaram a ofensiva, enquanto manifestações de apoio ao regime foram registradas internamente.
A escalada amplia o risco geopolítico na principal região produtora de petróleo do mundo e coloca pressão adicional sobre os preços da energia, com possíveis reflexos na inflação global e no custo dos combustíveis.






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