Bolsa abre com novo recorde e dólar tem maior queda de valor em quase 2 anos

Mercado reage a expectativas da superquarta no Brasil e nos Estados Unidos e acompanha dados da dívida pública

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, iniciou o pregão desta quarta-feira (28/1) em forte alta e alcançou um novo recorde histórico logo nas primeiras horas de negociação. Às 10h39, o indicador chegou a 184.575,39 pontos, superando a máxima registrada na véspera, de 183.316,72 pontos. Pouco depois, às 11h10, o índice mantinha o movimento positivo, com alta de 1,09%, aos 183.906,38 pontos.

Enquanto as ações avançavam, o dólar recuava com intensidade. No mesmo horário, a moeda dos EUA era negociada a R$ 5,18, queda de 0,43% e o menor patamar em dois anos. O movimento reforça a percepção de maior apetite por risco no mercado doméstico, em um dia marcado por expectativas em relação à política monetária.

Clima positivo no início do pregão

O desempenho do Ibovespa reflete um ambiente externo mais favorável e a expectativa de manutenção dos juros no Brasil e nos Estados Unidos. Investidores aproveitaram o início da sessão para ampliar posições em renda variável, impulsionando o índice a um novo topo histórico logo cedo.

A queda do dólar acompanha esse movimento e também se apoia na leitura de que não haverá surpresas nas decisões dos bancos centrais nesta quarta-feira, o que reduz a busca por proteção cambial no curto prazo.

Superquarta concentra atenções

A agenda econômica desta quarta ainda está no começo, mas já mobiliza o mercado financeiro. O dia marca a primeira “superquarta” do ano, quando tanto o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, quanto o Banco Central do Brasil anunciam suas decisões sobre juros.

O Fed divulga sua decisão às 16 horas, seguido de coletiva do presidente da instituição, Jerome Powell, às 16h30. Já o Comitê de Política Monetária do Banco Central brasileiro anuncia sua decisão a partir das 18h30.

Entre analistas, há consenso de que as taxas básicas devem ser mantidas. Nos Estados Unidos, os juros seguem no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. No Brasil, a taxa Selic está em 15% ao ano. O foco, portanto, não está nos números em si, mas no tom dos comunicados e nas sinalizações sobre os próximos passos da política monetária.

Sinais do Fed e do Banco Central

No caso dos EUA, o discurso de Jerome Powell será acompanhado de perto, sobretudo pelas avaliações sobre a atividade econômica e o mercado de trabalho. Qualquer indicação sobre o ritmo de crescimento ou sobre pressões inflacionárias pode influenciar expectativas para cortes ou manutenções futuras dos juros.

No Brasil, a leitura do mercado se concentra no comunicado do Banco Central que acompanha a decisão da Selic. O texto costuma trazer pistas sobre o balanço de riscos, a evolução da inflação e a estratégia da autoridade monetária para os próximos meses.

Dados da dívida pública no radar

Além das decisões de juros, o mercado doméstico também monitora a divulgação de importantes dados fiscais. O Tesouro Nacional publica nesta quarta-feira, às 14h30, o Relatório Mensal da Dívida de dezembro de 2025, o Relatório Anual da Dívida referente ao ano passado e o Plano Anual de Financiamento de 2026.

Os documentos definem diretrizes, metas e estratégias para a gestão da Dívida Pública Federal e podem influenciar a percepção de risco fiscal, especialmente em um momento de juros elevados e de discussão sobre sustentabilidade das contas públicas.

Com esse conjunto de eventos, investidores seguem atentos aos desdobramentos do dia, que podem definir o humor dos mercados não apenas no encerramento do pregão, mas também nas próximas semanas.

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