O dia de hoje marca mais uma superquarta no calendário econômico global, com decisões de política monetária sendo divulgadas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. As atenções do mercado se voltam para os comunicados do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve, em um ambiente de expectativa por manutenção dos juros nos dois países.
Às 16h, o Fomc, comitê responsável pela política monetária dos EUA, anuncia sua decisão sobre a taxa básica de juros. Meia hora depois, às 16h30, o presidente do Fed, Jerome Powell, concede entrevista coletiva para detalhar as discussões e a leitura do cenário econômico feita pelo colegiado.
No Brasil, a decisão do Copom deve ser divulgada mais tarde, por volta das 18h30, encerrando o dia mais importante da semana para investidores e analistas.
Expectativa de manutenção dos juros
Na primeira superquarta do ano, a avaliação predominante do mercado é de que não haverá mudanças nas taxas de juros nem no Brasil nem nos Estados Unidos. A taxa Selic está em 15% ao ano desde junho de 2025, após uma sequência de altas promovidas pelo Banco Central para conter a inflação. Já nos Estados Unidos, os juros estão na banda entre 3,5% e 3,75%, após o corte realizado pelo Fed em dezembro.
O Sistema Expectativas de Mercado, divulgado semanalmente pelo Banco Central, aponta que a mediana dos agentes econômicos projeta a manutenção da Selic em 15% nesta quarta-feira (28). Nos Estados Unidos, a ferramenta CME Fedwatch indica que 96,1% dos participantes do mercado apostam na manutenção dos juros, enquanto apenas 3,9% ainda esperam algum corte.
Cenário no Brasil
A perspectiva de mais uma decisão de estabilidade por parte do Banco Central é sustentada por declarações recentes do presidente da instituição, Gabriel Galípolo, que tem reiterado a dependência dos dados econômicos para a condução da política monetária.
Indicadores recentes do mercado de trabalho mostram que a taxa de desemprego segue próxima das mínimas históricas, sinalizando uma atividade econômica ainda aquecida. Em contrapartida, a inflação medida pelo IPCA vem apresentando trajetória gradual de convergência para o centro da meta, enquanto o dólar tem mostrado sinais de acomodação no mercado doméstico.
Em relatório, analistas do Santander avaliam que o ambiente econômico no início de 2026 permanece muito semelhante ao observado em dezembro, quando o Copom realizou a última reunião do ano passado e optou por manter a Selic em 15% pela quarta vez consecutiva. Diante de sinais ainda mistos, a leitura é de que o BC deve seguir com cautela e repetir a decisão nesta semana.
Cenário nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a reunião do Fed ocorre em um contexto político conturbado. O debate sobre política monetária tem sido parcialmente ofuscado por uma investigação criminal aberta pelo governo do presidente Donald Trump envolvendo Jerome Powell, além das tentativas de afastar Lisa Cook do cargo de diretora do Fed e da expectativa pela indicação de um sucessor para Powell, cujo mandato termina em maio.
Na terça-feira (27), primeiro dia das reuniões do Fomc, Trump voltou a afirmar em discurso que deve anunciar em breve o nome escolhido para substituir Powell. O movimento reacende discussões sobre a independência do banco central norte-americano, tema sensível para os mercados.
Apesar das incertezas políticas, analistas avaliam que, por ora, as salvaguardas institucionais do Fed permanecem intactas. As expectativas de inflação extraídas do mercado e os rendimentos dos títulos de longo prazo dos Estados Unidos não indicam, até o momento, um temor generalizado quanto à condução futura da política monetária.
“Não é possível considerar as ações do próximo presidente do Fed como algo separado do ambiente econômico ou da capacidade de influenciar outros participantes do Fomc”, afirmou Tim Duy, economista-chefe para os Estados Unidos da SGH Macro Advisors.






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