O IPCA-15, índice que mede a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,20% em janeiro, desacelerando em relação ao resultado de dezembro, quando havia avançado 0,25%. Com o resultado, o acumulado em 12 meses chegou a 4,50%, exatamente no limite superior da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ao final de 2025, a taxa acumulada era de 4,41%.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e vieram abaixo das expectativas do mercado financeiro. Analistas projetavam uma variação mensal de 0,22% e um acumulado em 12 meses de 4,52%. Ainda assim, o resultado de janeiro superou o observado no mesmo mês de 2025, quando o IPCA-15 havia ficado em 0,11%.
Inflação e decisão sobre juros
A divulgação do indicador ocorre no mesmo dia do início da primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom). O encontro será decisivo para definir se o Banco Central do Brasil manterá a taxa básica de juros, a Selic, em 15%, ou se dará início a um ciclo de cortes.
A leitura da prévia da inflação, apesar da desaceleração no mês, reforça um cenário ainda sensível para a política monetária, já que o índice segue no limite máximo da meta estabelecida pelo CMN.
Pressão de saúde e alimentos
O avanço do IPCA-15 em janeiro foi impulsionado principalmente pelo grupo de saúde e cuidados pessoais, com aumento nos preços de artigos de higiene pessoal. Outro fator relevante veio do grupo de alimentação e bebidas, que possui o maior peso na composição do índice.
Após registrar alta de 0,13% em dezembro, o grupo acelerou para 0,31% em janeiro. Com isso, a alimentação no domicílio interrompeu uma sequência de sete meses consecutivos de queda e passou a subir 0,21%, contribuindo de forma significativa para o resultado do mês.
Queda na conta de luz alivia índice
Na direção oposta, o grupo de habitação apresentou recuo de 0,26%, influenciado principalmente pela queda de 2,91% no preço da energia elétrica residencial. Esse foi o maior impacto negativo individual no IPCA-15 de janeiro.
O alívio na conta de luz ocorreu após a entrada em vigor da bandeira tarifária verde, que não prevê cobrança adicional. Até dezembro, estava em vigor a bandeira amarela, que implicava cobrança extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. A mudança contribuiu para conter a inflação no início do ano e foi determinante para a desaceleração do índice no mês.
Cenário de atenção para 2026
Apesar do resultado melhor do que o esperado pelo mercado, economistas avaliam que o comportamento da inflação seguirá sendo acompanhado de perto ao longo de 2026. A combinação de pressões pontuais, como alimentos e serviços, com fatores de alívio temporário, como a energia elétrica, mantém o cenário desafiador para a condução da política monetária.
A decisão do Copom nos próximos dias deverá considerar não apenas a trajetória recente do IPCA-15, mas também as expectativas de inflação, o comportamento da atividade econômica e o cenário internacional.






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