Boletim Focus: mercado aumenta previsão de juros e inflação para 2026

Analistas do BC mostram piora das expectativas para Selic e IPCA, enquanto acompanham os impactos econômicos da guerra entre Israel e Irã

As expectativas do mercado financeiro para a economia brasileira voltaram a se deteriorar. Economistas consultados pelo Banco Central elevaram suas projeções para a inflação e para a taxa básica de juros em 2026, refletindo o aumento das incertezas no cenário internacional, especialmente após a escalada das tensões envolvendo o Irã e seus impactos sobre os mercados globais.

Os dados constam na edição mais recente do Boletim Focus, divulgada nesta segunda-feira (8), que reúne as estimativas de instituições financeiras e consultorias para os principais indicadores econômicos do país.

A nova rodada de projeções indica uma preocupação crescente com os efeitos da instabilidade geopolítica sobre os preços internacionais, especialmente de commodities como petróleo e combustíveis, que podem pressionar a inflação nos próximos meses.

Mercado prevê juros mais altos em 2026

A principal mudança observada no levantamento foi a revisão para cima da expectativa da taxa Selic ao fim de 2026.

Os analistas passaram a projetar que os juros básicos da economia encerrarão o próximo ano em 13,5%, ante a estimativa de 13,25% registrada na semana anterior. A elevação de 0,25 ponto percentual demonstra que o mercado passou a enxergar um processo mais lento de redução dos juros diante das pressões inflacionárias.

Apesar disso, os economistas mantiveram a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, marcada para a semana que vem.

Atualmente, a Selic está em 14,5% ao ano.

As projeções para os anos seguintes também sofreram ajustes. Para 2027, a expectativa subiu de 11,25% para 11,5%. Já para 2028 e 2029, as previsões permaneceram inalteradas em 10% ao ano.

Inflação segue em trajetória de alta

O mercado também revisou novamente suas expectativas para a inflação oficial do país.

Segundo o Focus, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 passou de 5,09% para 5,11%, registrando a 13ª alta consecutiva nas estimativas dos analistas.

O percentual permanece acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. Atualmente, o centro da meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece um limite máximo de 4,5%.

A persistência das projeções acima desse patamar reforça o desafio enfrentado pela autoridade monetária para controlar a inflação sem comprometer o ritmo de crescimento da economia.

As estimativas para os anos seguintes apresentaram comportamento misto. Para 2027, a expectativa passou de 4,02% para 4,03%. Já para 2028 houve uma leve melhora, com redução da projeção de 3,66% para 3,65%.

Economia mantém ritmo moderado de crescimento

Embora o cenário para juros e inflação tenha piorado, os economistas ficaram ligeiramente mais otimistas em relação ao desempenho da atividade econômica neste ano.

A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) avançou de 1,90% para 1,91%, indicando expectativa de crescimento moderado da economia brasileira.

A revisão, ainda que discreta, sugere que o mercado continua enxergando resiliência em alguns setores produtivos, mesmo diante de um ambiente de juros elevados e incertezas externas.

Dólar tem leve melhora nas projeções

Outro indicador que apresentou ajuste foi a taxa de câmbio.

A expectativa para o dólar ao fim deste ano caiu marginalmente, passando de R$ 5,16 para R$ 5,15.

A alteração é pequena, mas demonstra que os analistas não esperam, por enquanto, uma deterioração significativa do câmbio, apesar do ambiente internacional mais turbulento.

Guerra no Oriente Médio amplia incertezas

As novas projeções surgem em um momento de atenção dos mercados globais para os desdobramentos da guerra envolvendo o Irã.

O conflito tem provocado volatilidade nos preços internacionais de energia e aumentado a cautela de investidores em diversos países. Como o petróleo é um dos principais insumos da economia mundial, qualquer pressão sobre os preços pode acabar refletindo em combustíveis, transporte, logística e outros setores, alimentando a inflação.

Esse cenário ajuda a explicar por que o mercado passou a enxergar juros elevados por mais tempo no Brasil, mesmo diante da expectativa de um início gradual do ciclo de cortes da Selic.

Com inflação acima da meta, crescimento econômico moderado e um ambiente internacional marcado por incertezas geopolíticas, as próximas decisões do Banco Central deverão continuar sendo acompanhadas de perto por investidores, empresas e consumidores.

A reunião do Copom da próxima semana será um dos eventos mais aguardados pelo mercado financeiro, pois poderá indicar o ritmo que a autoridade monetária pretende adotar nos próximos meses para equilibrar o combate à inflação e o estímulo à atividade econômica.

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