Barroso se despede da Presidência do STF com elogios a Moraes e Fux em coquetel reservado

Ministro reuniu autoridades e colegas da Corte em Brasília antes de passar o comando a Edson Fachin na próxima semana

Na noite da última quarta-feira (24), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, reuniu cerca de 50 convidados em sua residência no Lago Sul, em Brasília, para um coquetel de encerramento de sua gestão à frente da Corte. Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, o discreto evento contou com a presença de ministros do Supremo, autoridades políticas e representantes de outras instituições da República.

Na próxima segunda-feira (29), o ministro Edson Fachin assumirá a Presidência do STF, dando início a uma nova etapa na condução do tribunal.

Afagos a Moraes e Fux

Em seu discurso, Barroso fez questão de destacar os colegas Alexandre de Moraes e Luiz Fux. Ao falar sobre Moraes, alvo de sanções do governo Donald Trump, ressaltou: o ministro estaria pagando um preço pessoal por manter a independência do Judiciário, frase que foi recebida com aplausos dos presentes.

Em seguida, dirigiu-se a Fux, que surpreendeu ao ser o único a votar pela absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro no julgamento do chamado “núcleo crucial” da trama golpista. Barroso lembrou que a divergência faz parte da tradição do colegiado e reforçou que, apesar das diferenças, todos integram um mesmo “time”.

Condenação de Bolsonaro e unidade do STF

No último dia 11, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e deterioração de patrimônio tombado. O resultado foi de 4 votos a 1, sendo Fux o único a se posicionar pela absolvição.

Barroso, ao mencionar o episódio, disse ter feito questão de acompanhar a proclamação do resultado na Primeira Turma do Supremo. Para ele, a presença reforçou a ideia de unidade institucional, mesmo em meio a divergências jurídicas.

Autoridades presentes

Entre os ministros do Supremo, além de Moraes e Fux, estiveram presentes Edson Fachin, Gilmar Mendes e Flávio Dino. Aos convidados foi servido o vinho português “Bom Juiz”, produzido na região do Alentejo, em alusão ao papel desempenhado pela Corte na defesa do Estado de Direito.

Também participaram da confraternização os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (PP-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conselheiros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, responsável pela denúncia contra Bolsonaro no caso do golpe de Estado.

Bastidores da política

Um dos convidados relatou que a postura de Alcolumbre chamou atenção. “Quem estava lá saiu com a certeza absoluta que Alcolumbre não vai nunca pautar impeachment de ministro do STF. Ele abraçou e beijou um por um”, disse.

No discurso, Barroso evitou mencionar diretamente as pautas polêmicas em debate no Congresso, como a PEC da Blindagem — recentemente arquivada por Alcolumbre — e a proposta de anistia aos investigados pelos atos de 8 de Janeiro, defendida por setores bolsonaristas. Também não tratou das especulações sobre uma eventual saída antecipada do Supremo, prevista oficialmente apenas para 2033, quando completará 75 anos.

A noite marcou, assim, uma despedida simbólica do cargo, com sinais de unidade interna no tribunal e reforço da defesa do Judiciário diante das pressões políticas externas.

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