Bacellar admite conversa com TH Joias antes de operação

Presidente da Alerj afirmou ainda ter ouvido rumores sobre o passado de TH, mas disse que isso não interferia em sua atuação institucional

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, reconheceu à Polícia Federal que conversou com o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, um dia antes da operação que prendeu o parlamentar.

As informações são do Fantástico, da TV Globo. A admissão de Bacellar ocorre no momento em que ele cumpre prisão preventiva, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A PF investiga se o presidente da Alerj teria antecipado dados sigilosos para beneficiar TH, suspeita que ele nega.

TH Joias está preso desde setembro, acusado de atuar para o Comando Vermelho, lavar dinheiro, negociar armas, adquirir equipamentos antidrones e agir como representante da facção dentro da própria Alerj.

Relatórios da PF apontam “troca intensa de mensagens” do ex-parlamentar com “contatos estratégicos, incluindo o presidente da Alerj”. Bacellar diz que só conheceu TH quando ele tomou posse.

“Conheci o deputado TH Joias quando ele tomou posse. Nunca o tinha visto na vida. [Após TH assumir o mandato] Construí uma relação, natural, sou presidente do Parlamento, tenho que atender todos indistintamente”, disse.

Ainda segundo o depoimento, TH questionou Bacellar na noite anterior:
“Você está sabendo de alguma operação amanhã pra mim?”. O presidente da Alerj disse ter respondido que não tinha conhecimento de nada.

Imagens mostram que, horas depois dessa conversa, um caminhão foi usado para retirar objetos da casa de TH. Na manhã seguinte, já durante a ação, o ex-deputado enviou fotos dos agentes da PF dentro de sua residência.

Bacellar declarou ter ficado surpreso ao receber as imagens: “O cara é maluco, o cara me manda (…) dos policiais lá na casa dele.”

Os investigadores também perguntaram por que, ao ser procurado por TH sobre uma possível operação, Bacellar não comunicou nenhuma autoridade. Ele respondeu:

“Não procurei absolutamente ninguém. Não tô aqui pra entregar colega. Não tô aqui para proteger colega também que faz nada errado”

Durante a condução para a sede da Polícia Federal, os agentes encontraram R$ 90 mil no carro que levava Bacellar. Questionado sobre a origem do dinheiro, ele disse que apresentaria comprovação posteriormente.

Bacellar afirmou ainda ter ouvido rumores sobre o passado de TH, mas disse que isso não interferia em sua atuação institucional.

“Ah, o pessoal fala que é ligado a comando, sei lá o quê. Da porta pra dentro, se você tiver uma atitude de bom convívio com todo mundo, o que você faz na rua não me diz respeito”, disse.

A defesa do presidente da Alerj nega qualquer tentativa de obstrução. Já a defesa de TH diz que ainda não teve acesso ao processo. A Comissão de Constituição e Justiça da Alerj analisa se mantém a prisão, decisão que definirá os próximos passos do caso.

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