Carnes e provas destruídas: os bastidores da conversa entre TH Joias e Bacellar na véspera de operação

Investigadores afirmam que o diálogo ocorreu antes da Operação Zargun, quando TH Joias acabou preso

A Polícia Federal detalhou uma troca de mensagens insólita entre o então deputado estadual TH Joias (MDB) e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), preso nesta quarta-feira. Às vésperas de ser alvo de uma operação, TH mostrou preocupação curiosa: temia que agentes federais “roubassem suas carnes”, guardadas em um freezer que ele tentava retirar de casa.

Segundo o inquérito, TH enviou vídeos e áudios a Bacellar perguntando o que deveria esconder antes da chegada da PF.

“Ô presida! Não tem como levar não, irmão. Pô, como é que leva?! Tem como levar não, irmão. Esses filhas das putas vão roubar as carnes, hein”, disse o deputado, de acordo com as transcrições anexadas ao documento. Bacellar, no entanto, minimizou: “Deixa, doido”.

Investigadores afirmam que o diálogo ocorreu antes da Operação Zargun, quando TH Joias acabou preso. A PF diz que Bacellar o orientou a destruir provas e organizar uma mudança às pressas, o que o deputado fez usando até um caminhão-baú. TH zerou o celular, adquiriu outro aparelho e voltou a enviar registros para Bacellar, confirmando o que poderia ou não permanecer na residência. Ao questionar novamente sobre o freezer, ouviu de Bacellar: “Deixa isso, tá doido? Larga isso aí, seu doido”.

O caso ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (3), quando Bacellar foi detido na Superintendência da PF no Rio após ter sido convidado a comparecer a uma “reunião”. Assim que chegou, recebeu voz de prisão e teve o celular apreendido. A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da Operação Unha e Carne.

Para a PF, houve atuação coordenada de agentes públicos para vazar informações sigilosas e obstruir a investigação que mirava TH Joias meses antes. A corporação afirma que o aviso repassado por Bacellar permitiu que o então deputado ocultasse objetos, eliminasse dados e interferisse na coleta de provas.

A PF também pretende ouvir novamente TH Joias, que deverá prestar depoimento sobre as comunicações mantidas com Bacellar e o possível vazamento de dados da Operação Zargun.

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