Autoridades políticas lamentaram a morte da cantora Preta Gil, aos 50 anos, nesta domingo (20), após complicações no tratamento contra o câncer. Ela estava nos Estados Unidos, onde buscava alternativas terapêuticas.
O governado do Rio, Cláudio Castro, se solidarizou com a família da artista e ressaltou seu legado de força.
“O Brasil perde hoje uma das mulheres mais marcantes da nossa música e cultura. Artista talentosa e símbolo de representatividade na cultura brasileira, Preta Gil foi muito além da música. Sua voz ecoou em causas sociais importantes, sempre com autenticidade, deixando um legado de alegria e representatividade”, disse Castro. “Mais do que artista, Preta foi um exemplo de força e dignidade. Enfrentou com bravura a luta contra o câncer, compartilhando sua jornada com o país e inspirando milhares de pessoas com sua coragem e fé. Neste momento de dor, me solidarizo com o pai Gilberto Gil, com toda a família, amigos e admiradores”.
Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, disse: “Daquelas coisas que deviam ser proibidas de acontecer. Poucas vezes conheci em minha vida uma pessoa que trouxesse vibrações tão boas e que espalhasse alegria e amizades aonde chegasse. Que tristeza ver uma pessoa assim nos deixar! Quero manifestar meu mais profundo pesar pela passagem da Preta Gil . Que Deus possa confortar o coração dos fãs, da enorme legião de amigos dela, dos familiares e especialmente desse grande cara , meu amigo Gilberto Gil. Toda força do mundo pra vocês”.
A Câmara Municipal do Rio emitiu uma nota: “Preta não foi apenas uma cantora de talento inquestionável. Foi também uma mulher que usou sua voz, nos palcos e fora deles, para defender causas importantes, lutar contra o preconceito, valorizar a diversidade e espalhar amor. Carioca de coração, dona do bloco que arrastava multidões pelas ruas do Rio, ela transformava cada encontro com o público em celebração à vida e à liberdade de ser quem se é”.
“Estou profundamente triste em saber que Preta Gil nos deixou nesta noite de domingo. Talentosa e batalhadora em tudo o que fazia – seja como artista, seja como empresária – Preta seguiu espalhando a alegria de viver mesmo nos momentos mais difíceis de seu tratamento. Preta era uma pessoa extremamente querida e admirada pelo público e pelas pessoas que tiveram a felicidade de conviver com ela. Os palcos e os carnavais que ela tanto animou sentirão sua falta”, escreveu o presidente da República, Lula.
Geraldo Alckmin, vice-presidente, também se manifestou: “Hoje, o Brasil se despede de Preta Gil uma artista que iluminou nossas vidas com sua alegria contagiante e irreverência. Preta quebrou padrões e lutou contra o preconceito, sempre com coragem e autenticidade. Envio meus mais profundos sentimentos e minhas orações a Gilberto Gil e toda sua família e amigos”.
Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, destacou que a cantora enfrentou o racismo, o machismo, a gordofobia e a doença sem nunca perder.
“Lutou muito por sua vida e por tudo que sempre acreditou. Preta, nunca esquecerei de todo apoio que você deu a minha família e a mim nos momentos mais difíceis que passamos. Hoje o Brasil perde mais do que uma artista. Perdemos um símbolo de força, liberdade e amor pela vida”, escreveu.
Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, disse: “A partida precoce de Preta Gil entristece o país. Ela sempre esbanjou otimismo, lutou bravamente até o fim e partiu deixando um grande legado artístico. Meus sentimentos a todos da família Gil, amigos e fãs. Que Deus os conforte nesse momento tão difícil”.
Luta contra o câncer
Preta enfrentava, desde janeiro de 2023, um câncer colorretal. A doença chegou a entrar em remissão no fim daquele ano, mas retornou de forma agressiva em agosto de 2024, atingindo dois linfonodos, o peritônio e o ureter.
Para tentar conter a progressão, ela se submeteu a tratamentos intensos e passou por cirurgias complexas, incluindo uma operação de 20h para retirada dos tumores em dezembro.
Preta deixa o filho Francisco, de 28 anos, e a neta Sol de Maria, de 7. Deixa também um legado de luta contra o racismo, defesa das mulheres, da comunidade LGBTQIA+ e da aceitação dos corpos reais.
Durante toda a batalha contra a doença, a cantora fez questão de compartilhar sua jornada nas redes sociais, os avanços, os desafios e os momentos mais delicados, como o término do casamento após uma traição, uma septicemia grave e a necessidade de cirurgias invasivas, como a histerectomia total abdominal e a amputação do reto.
Em 2024, com o retorno do câncer e o insucesso da nova quimioterapia, a artista optou por buscar tratamentos inovadores fora do país.
A filha de Gilberto Gil cresceu cercada pela elite da música popular brasileira, era afilhada de Gal Costa, chamava Caetano Veloso de tio e dividia a infância com os filhos de outros grandes nomes da MPB. No braço, carregava tatuado ‘Drão’, apelido da mãe, Sandra Gadelha, e nome da canção favorita que seu pai compôs.






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