Ataques dos EUA a supostos traficantes no Caribe e Pacífico já mataram 80

Operação Lança do Sul, anunciada por Pete Hegseth, destruiu 20 embarcações desde setembro e provoca críticas internacionais sobre violações ao direito internacional

O número de mortos em ataques dos Estados Unidos a barcos acusados de ligação com o tráfico de drogas no Caribe já chega a pelo menos 80 pessoas desde setembro. As ações fazem parte de uma escalada militar promovida pelo governo Donald Trump, que afirma combater “narcoterroristas” na região. As informações foram reveladas inicialmente pelo jornal New York Times.

Segundo o NYT, o episódio mais recente ocorreu nesta semana, quando uma embarcação foi atingida em águas internacionais, resultando em quatro mortes. O ataque se soma a outras 19 destruições de barcos nos últimos dois meses, todas atribuídas ao Exército norte-americano. Até agora, Washington não apresentou provas de que as embarcações abatidas transportavam drogas ou representavam ameaça direta ao país.

Ofensiva militar anunciada por Hegseth

A nova fase da estratégia antidrogas foi oficializada na quinta-feira pelo secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, que anunciou a operação militar batizada de “Lança do Sul”. A ação será conduzida em cooperação com o Comando Militar Sul, responsável por operações no Caribe e na América Latina.

Em declaração publicada na rede X, Hegseth afirmou que a ofensiva tem caráter defensivo e responde a ameaças de grupos criminosos transnacionais. Ele declarou que “esta missão defende nossa pátria, remove narcoterroristas do nosso hemisfério e protege nossa pátria das drogas que estão matando nosso povo. O hemisfério ocidental é a vizinhança da América – e nós o protegeremos”.

Críticas da Europa e tensão diplomática

O aumento dos ataques despertou forte reação de autoridades europeias, que acusaram Washington de violar o direito internacional ao realizar ações letais em águas internacionais sem autorização da ONU. Segundo representantes da União Europeia, a ofensiva não tem respaldo jurídico e pode agravar tensões regionais.

A resposta norte-americana veio por meio do secretário de Estado, Marco Rubio. Em tom duro, ele afirmou que a UE “não pode determinar o que é direito internacional” e criticou os europeus por questionarem as ações de defesa dos Estados Unidos. “Os Estados Unidos estão sob ataque de narcoterroristas do crime organizado em nosso hemisfério e o presidente está respondendo em defesa do nosso país”, disse Rubio.

Porta-aviões Gerald Ford deslocado para a região

Em meio à escalada militar, o Departamento de Guerra confirmou, na terça-feira, que o porta-aviões Gerald Ford — o mais novo e maior da frota norte-americana, com mais de 5.000 marinheiros a bordo — chegou à América Latina. A movimentação cumpre ordem de Trump dada em 24 de outubro, reforçando a presença militar na região do Caribe.

O envio do porta-aviões, somado à destruição de barcos e ao lançamento da operação Lança do Sul, indica que a administração Trump aposta em uma política de força para conter organizações que os EUA classificam como narcoterroristas. A falta de transparência sobre os alvos e a ausência de provas, entretanto, alimentam críticas de especialistas e organismos internacionais.

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