Ao menos 40 pessoas morreram neste sábado (3) após um ataque dos Estados Unidos à Venezuela, segundo informações do jornal americano The New York Times. O balanço preliminar foi repassado por um alto funcionário venezuelano ouvido sob condição de anonimato.
De acordo com a publicação, entre os mortos há militares e civis venezuelanos. O jornal afirma ainda que não houve registro de baixas entre soldados americanos durante a ação.
A ofensiva militar foi batizada de “Operação Determinação Absoluta” e ocorreu no mesmo dia em que Nicolás Maduro foi capturado, segundo declarações do governo dos Estados Unidos.
Trump comemora operação e diz que vai governar a Venezuela
Em pronunciamento e entrevista coletiva neste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comemorou a ação militar e afirmou que vai governar a Venezuela após a captura de Maduro, a quem chamou de ditador.
Trump declarou que não permitirá que pessoas próximas a Maduro permaneçam no poder e que o país será administrado por uma gestão interina até que uma transição de governo possa ser realizada “com segurança”.
O republicano não detalhou como essa administração funcionará nem por quanto tempo deve durar, limitando-se a afirmar que “um grupo” será responsável pelo comando do país durante o período de transição.
Delcy Rodríguez reage e fala em resistência à intervenção
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez um pronunciamento em rede nacional neste sábado (3), no qual convocou ministros e a população a resistirem à intervenção dos Estados Unidos no país.
Segundo fontes ouvidas pelo New York Times, Delcy teria tomado posse em uma cerimônia secreta e agora é considerada presidente interina da Venezuela, apesar de o governo chavista negar essa versão.
Em seu discurso, Delcy afirmou que a Venezuela “nunca será colônia de nenhuma nação”, disse que Nicolás Maduro continua sendo o único presidente legítimo do país e classificou a captura do líder como um “sequestro”.
EUA admitem negociações e não descartam nova ofensiva
Trump afirmou que negocia com Delcy Rodríguez sobre os próximos passos do processo político na Venezuela, mas não descartou uma invasão aberta ao país, caso considere necessário.
O presidente americano também disse que não pretende indicar a líder oposicionista María Corina Machado para assumir o governo venezuelano neste momento.
Segundo Trump, o objetivo da ação é impedir a continuidade do regime chavista e garantir uma mudança estrutural no comando do país.
População enfrenta filas, alta de preços e clima de tensão
A reação da população venezuelana foi marcada por tensão, filas e aumento de preços, segundo relato de um brasileiro que vive em Valência e falou à rádio CBN sob condição de anonimato.
De acordo com ele, a notícia do ataque começou a circular entre a população nas primeiras horas da manhã. “Fiquei sabendo por volta das três da manhã, mas a maioria só começou a ler as notícias quando acordou, por volta das seis”, afirmou.
A partir disso, a rotina da cidade mudou rapidamente, com filas em postos de combustíveis e supermercados, muitos dos quais passaram a restringir a entrada de clientes.
Escassez, presença militar e vigilância a estrangeiros
O brasileiro relatou que a situação da água potável agravou ainda mais o cenário. Segundo ele, apenas uma das seis lojas da região que vendem água estava aberta, o que provocou longas filas.
O preço de produtos básicos também disparou. Uma garrafa de água que custava 100 bolívares passou a ser vendida por 300 bolívares na manhã deste sábado.
Apesar do clima tenso, ele descreveu uma sensação dividida nas ruas, entre apreensão e expectativa, além de relatar aumento da presença militar e vigilância constante sobre estrangeiros, que passaram a ser abordados com mais frequência nas estradas.






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