O Comitê de Política Monetária (Comitê de Política Monetária) do Banco Central do Brasil divulgou nesta terça-feira (3) a ata da reunião realizada no fim de janeiro, na qual manteve a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 15% ao ano. No documento, o colegiado reforça a sinalização de que pode iniciar um ciclo de cortes já no próximo encontro, desde que o cenário econômico evolua conforme o esperado.
A decisão de manter os juros ocorreu na reunião dos dias 27 e 28 de janeiro e foi tomada de forma unânime. Apesar da manutenção do patamar elevado, os diretores do Banco Central indicaram que o atual nível de restrição monetária pode começar a ser reduzido de maneira cautelosa.
“O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz um trecho da ata.
O papel da Selic no controle da inflação
A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Ao definir o nível dos juros, o Copom busca influenciar o ritmo da atividade econômica, do consumo e dos investimentos.
Quando a taxa é elevada, o crédito tende a ficar mais caro, o que desestimula o consumo e reduz o ritmo da economia. Esse movimento, em tese, ajuda a conter a alta dos preços de bens e serviços. Por outro lado, juros mais baixos costumam estimular a atividade econômica, mas podem pressionar a inflação se adotados de forma precoce.
Condições para o início dos cortes
Embora a ata traga uma sinalização clara de flexibilização, o Copom ressalta que qualquer redução da Selic dependerá da evolução de fatores que aumentem a confiança no cumprimento da meta de inflação. O chamado “horizonte relevante” mencionado no documento corresponde aos próximos 18 meses, período considerado crucial para a condução da política monetária.
Projeções mais recentes do mercado financeiro indicam ceticismo quanto a uma queda da Selic para patamares abaixo de dois dígitos durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao longo do mandato de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central.
Juros no maior nível em quase duas décadas
O atual patamar da Selic é o mais elevado em quase 20 anos. De acordo com a série histórica, a taxa básica não atingia esse nível desde julho de 2006, período que marcou o fim do primeiro mandato de Lula.
O ciclo de aperto monetário teve início em setembro de 2024, quando o Copom decidiu interromper o movimento de cortes e voltou a elevar os juros. Na ocasião, a Selic passou de 10,50% para 10,75% ao ano, dando início a uma sequência de altas até alcançar os atuais 15%.
Cenário externo e atividade econômica
Na avaliação do colegiado, o ambiente internacional segue marcado por incertezas, especialmente em relação à política econômica dos Estados Unidos, sob a condução do presidente Donald Trump. O Copom aponta que decisões e sinalizações vindas da maior economia do mundo podem afetar fluxos financeiros e expectativas globais.
No cenário doméstico, a ata descreve uma trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, ainda que o mercado de trabalho permaneça aquecido. A decisão do Copom foi tomada no dia 28 de janeiro, um dia antes da divulgação dos dados do Caged que mostraram a perda de 618 mil postos de trabalho em dezembro de 2025. Embora a retração seja comum nesse período do ano, o resultado veio acima das expectativas. Em novembro, haviam sido criadas 85,8 mil vagas com carteira assinada.
Próximas reuniões do Copom em 2026
O Banco Central já divulgou o calendário das próximas reuniões do Copom ao longo de 2026. Os encontros estão previstos para os dias 17 e 18 de março, 28 e 29 de abril, 16 e 17 de junho, 4 e 5 de agosto, 15 e 16 de setembro, 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro.
Até lá, o mercado acompanhará de perto a evolução da inflação, da atividade econômica e do cenário internacional, fatores que devem balizar o ritmo e a intensidade do eventual ciclo de cortes de juros no Brasil.






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