Assembleia aprova retirada de áreas do Parque da Costa do Sol para regularização fundiária

Projeto sobre localidades de Caiçara e Sabiá em Arraial do Cabo segue para análise do governador após nova votação em plenário

Os deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovaram em segunda discussão, nesta quarta-feira (24), o projeto de lei que autoriza a retirada das localidades de Caiçara e Sabiá, em Arraial do Cabo, dos limites do Parque Estadual da Costa do Sol. A medida tem como objetivo viabilizar a regularização fundiária de interesse social para moradores que vivem na região há décadas.

De autoria do deputado estadual Marcelo Dino (PL), o texto já havia sido aprovado em primeira discussão na semana passada e agora segue para análise do governador em exercício, Ricardo Couto, que poderá sancionar ou vetar a proposta.

A tramitação da matéria voltou a mobilizar os parlamentares após os debates ocorridos na primeira votação, quando o tema da segurança pública acabou ganhando protagonismo durante as discussões em plenário.

Impasse antes da votação

O projeto também enfrentou um novo momento de tensão antes da votação em segundo turno. Uma emenda apresentada pelo deputado Vinicius Cozzolino (PSD) propunha a inclusão da área de Monte Alto no texto da proposta.

A alteração, porém, gerou divergências e chegou a colocar em risco a permanência da matéria na pauta. Após negociações, o próprio autor do projeto, Marcelo Dino, solicitou a retirada do acréscimo, permitindo que a votação fosse concluída sem mudanças no texto original.

Regularização e debate sobre segurança

Caso a proposta seja sancionada, caberá ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e à Prefeitura de Arraial do Cabo elaborar um memorial descritivo e um mapa georreferenciado para definir os trechos que poderão ser desafetados da unidade de conservação.

Segundo os defensores da iniciativa, a medida busca oferecer segurança jurídica a famílias que ocupam a área há muitos anos, além de permitir o avanço dos processos de regularização fundiária de interesse social.

Durante a tramitação, deputados também discutiram mecanismos para evitar que a regularização estimule a especulação imobiliária ou favoreça novas ocupações irregulares.

Segurança pública em debate

Na primeira discussão, realizada na semana passada, o debate extrapolou as questões urbanísticas e ambientais. O tema da segurança pública dominou parte das manifestações dos parlamentares após referências à atuação de facções criminosas na região.

Na ocasião, o deputado Guilherme Delaroli (PL), que presidia a sessão, afirmou que a área abrangida pela proposta estaria sob influência do Comando Vermelho. A declaração levou outros parlamentares a defenderem a adoção de salvaguardas para impedir que futuras regularizações possam beneficiar interesses ilegais ou estimular a ocupação desordenada do território.

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