A auxiliar de classe Alessandra dos Santos Fernandes, de 24 anos, foi morta com uma facada no pescoço pela namorada em Cabo Frio, na Região dos Lagos, nesta sexta-feira (19). A suspeita do crime segue foragida e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Familiares da vítima acusam a mulher de outras agressões.
O crime aconteceu na casa onde a assassina morava, na Rua das Lebres, em Unamar, segundo distrito de Cabo Frio. De acordo com a Polícia Civil, as duas mulheres discutiram e a briga evoluiu para uma luta. Alessandra foi atingida por golpes de faca e chegou a ser levada para uma unidade de saúde, mas já chegou morta.
Segundo a 126ª DP (Cabo Frio), a investigação teve início após a comunicação da morte da jovem no hospital. Testemunhas e familiares foram ouvidos e, com base nas provas reunidas durante a investigação, o delegado responsável representou pela prisão da suspeita.
O pedido foi aceito pela Justiça, que expediu o mandado de prisão preventiva. No entanto, a mulher segue foragida.
O crime
Segundo a irmã da vítima, Eduarda dos Santos Fernandes, as duas mantinham um relacionamento de nove meses. Há poucas semanas, a mulher alugou uma casa na Rua das Lebres, após deixar a residência onde vivia com o padrasto. Apaixonada, Alessandra passou a frequentar o imóvel com frequência e chegou a permanecer no local por vários dias.
“Minha irmã falava que gostava muito dela, saía da casa da minha mãe e ia ficar lá. Com menos de uma semana dela morando ali, aconteceu essa fatalidade.”
De acordo com Eduarda, as duas estavam sozinhas na residência quando a discussão começou. A familiar afirma que a suspeita atingiu Alessandra com uma facada no pescoço e, mesmo após o ataque, gravou imagens da vítima ferida.
“Ela ainda teve a cara de pau de postar um vídeo da minha irmã agonizando no chão. Também, no mesmo dia, ligou para a minha mãe e mandou que ela a encontrasse na UPA. Minha mãe viu o vídeo e ficou mais arrasada do que já estava”, lamentou Eduarda.

Relacionamento abusivo
Ainda segundo a irmã da vítima, o relacionamento acontecia em meio à episódios de agressão e controle. Segundo ela, Alessandra costumava esconder da família o que acontecia dentro de casa e amigos próximos já haviam percebido sinais de violência.
“Eu tenho informações de ex-namoradas dela e de amigos da minha irmã dizendo que Alessandra ia trabalhar de casaco, toda machucada, cheia de mordidas. Minha irmã não batia nela.”
Eduarda também relatou que, semanas antes do feminicídio, Alessandra já havia procurado atendimento médico na UPA de Cabo Frio após outro episódio de agressão.
“A última vez foi no dia 6 de junho. Minha irmã foi para a UPA com facadas no braço. E ela era apaixonada, era um relacionamento possessivo. E a namorada sempre judiava da minha irmã, sempre a colocava de lado.”
No receituário médico, obtido pela Agenda do Poder, a médica responsável pelo atendimento descreveu: “Encaminho paciente ao posto de saúde para realização do esquema de vacina dT pós trauma com faca em antebraço esquerdo”, diz o documento.
Segundo as informações, a agressora também chegou a registrar um boletim de ocorrência contra Alessandra antes do crime. “Ela fez um boletim de ocorrência contra a minha irmã, com informações falsas. Mentiu em muita coisa”, salienta Eduarda.
Auxiliar de classe
Alessandra trabalhava como auxiliar de classe na rede municipal de ensino de Cabo Frio. Ela foi descrita por colegas e familiares como uma jovem dedicada ao trabalho e muito próxima da família.
Após a confirmação da morte, a Secretaria Municipal de Educação publicou uma nota de pesar lamentando a perda da servidora. A pasta manifestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas de trabalho e à comunidade da Escola Municipal Palmira Bessa de Figueiredo, onde a vítima atuava e também havia estudado quando mais nova.
O corpo da jovem foi sepultado no último dia 21, no Cemitério Âncora, em Rio das Ostras.
De acordo com a irmã, os familiares receberam a informação de que a agressora estaria na região de Seropédica, na Baixada Fluminense. “A Polícia Civil me passou ontem que ela estaria em Seropédica. Ela está tentando fugir de qualquer jeito. Mas eu quero Justiça”, afirmou a familiar.
A Polícia Civil informou que as diligências seguem em andamento para localizar e prender a investigada. O caso é apurado pela 126ª DP (Cabo Frio).
*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes





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