Dois dias depois de três maquinistas da SuperVia terem sido assaltados na Estação Ferroviária de Deodoro, e de uma passageira ter sido roubada na mesma estação na segunda-feira, dois funcionários da concessionária foram rendidos e roubados por homens armados com facas, nesta terça-feira. Durante a ação, que ocorreu entre às estações São Cristóvão e Praça da Bandeira, na Zona Norte do Rio, um dos trabalhadores chegou a ser agredido com tapas e socos. Os homens levaram dinheiro, celulares e até os lanches dos operários.
O assalto ocorreu quando as vítimas inspecionam a via férrea. O trecho é o mesmo, onde na última sexta-feira, criminosos improvisaram uma barricada na linha férrea para bloquear a passagem de um trem. Na ocasião, eles invadiram a cabine do maquinista e determinaram a abertura das portas da composição.
Em seguida, roubaram o profissional que conduzia o trem e duas passageiras. Todos ficaram sem celulares e pertences. Com a ação desta segunda-feira, subiu de 19 para 20 o número de funcionários da empresa que foram atacados e roubados na malha ferroviária que liga o Rio a outros 11 municípios, entre janeiro e o dia 6 de junho de 2023. Em todo 2022, haviam sido registrados apenas 11 ações deste tipo, segundo a SuperVia.
No último domingo, três maquinistas foram atacados por homens armados com pistolas, no interior da sala de tração, na Estação Ferroviária de Deodoro. Eles ficaram sem celulares e pertences. Os bandidos conseguiram fugir. Menos de 24 horas depois, a violência fez mais uma vítima na mesma estação. Por volta das 4h30, uma mulher que aguardava a chegada de trem foi rendida por um homem armado de pistola. Ele fugiu levando dinheiro e um celular.
O episódio da invasão da cabine do maquinista, na última sexta-feira, não foi o único registrado pela concessionária. No dia 9 de maio, em Santíssimo, um homem chegou a invadir uma das duas cabines de um trem, que estava em movimento, para furtar cabos. Ele quebrou uma janela para acessar o local (oposto à cabine ocupada pelo maquinista) e furtou 155 metros de cabos. O fato aconteceu entre as estações de Santíssimo e Santa Cruz. Ele fugiu do local deixando no assoalho da composição uma faca usada para arrombar os armários onde estavam fios e cabos. De acordo com a concessionária, o furto causou prejuízo aproximado de R$ 17 mil.
Nesta segunda-feira, Valmir Lemos, conhecido como Índio, presidente do Sindicato dos Ferroviários, voltou a criticar a falta de segurança dos trabalhadores e a ocorrência de sucessivos roubos.
— O clima fica ruim para os trabalhadores com a insegurança. Temos vários casos de maquinistas e funcionários afastados por problemas psicológicos, após terem sido vítimas de roubo enquanto estavam trabalhando na malha ferroviária e em estações. Já enviamos ofício pedindo providências para a secretaria de Transportes, governo estadual e a Agência Reguladora de Transportes Concedidos (Agetransp). É inadmissível o que está ocorrendo — disse.
Com informações do GLOBO.





