O ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP) confirmou nesta quarta-feira a intenção de disputar uma vaga no Senado por Alagoas. Em comunicado, o parlamentar disse que prepara um evento em Maceió, na primeira quinzena de março, para reunir lideranças da capital e do interior.
Segundo Lira, a mobilização tem como foco apresentar um projeto de desenvolvimento para o estado, com ênfase em recursos, obras estruturantes e ampliação de oportunidades nas diferentes regiões. O deputado está no quarto mandato e comandou a Câmara entre 2021 e 2024.
A articulação também envolve aliados nacionais e locais, e a expectativa é anunciar em breve data e local do encontro. Nos bastidores, o grupo descreve o ato como um gesto de união em torno de uma pauta municipalista e de maior presença de Alagoas no Congresso.
Trajetória e plano de campanha
Lira é considerado padrinho político do atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e tenta capitalizar a visibilidade acumulada no comando da Casa. A estratégia inclui diálogo com prefeitos e lideranças regionais para formar uma base ampla já no início do calendário eleitoral.
Com a pré-candidatura colocada, o cenário mais provável é a reedição do embate com Renan Calheiros (MDB), que trabalha para buscar a reeleição ao Senado. A chapa do emedebista pode incluir o ministro dos Transportes, Renan Filho, como candidato ao governo do estado.
Integrantes do entorno de Lira avaliam que a construção política passa por reduzir resistências em Brasília e evitar um isolamento em um reduto onde o lulismo tem força. Por isso, o deputado tem adotado um tom mais discreto nas últimas semanas.
Bastidores e ruídos com o Planalto
A possibilidade de uma composição entre Lira e Calheiros chegou a ser ventilada, mas foi publicamente rechaçada pelo senador. Em janeiro, ele afirmou que não fará aliança com o ex-presidente da Câmara, acusando-o de não priorizar os interesses de Alagoas quando esteve no cargo.
Lira, por sua vez, evita responder às críticas e trabalha nos bastidores para melhorar pontes com o Planalto, ciente de que uma candidatura ao Senado no Nordeste tende a exigir diálogo com a base governista. A postura contrasta com o clima de confronto visto em eleições passadas.
Em 2022, a troca de acusações entre os dois marcou o noticiário e elevou a temperatura do debate local. Agora, a estratégia do deputado é apresentar agenda e apoios antes de entrar em embates públicos, enquanto o calendário de março deve servir como ponto de largada da campanha.






Deixe um comentário