Arquivo Público do RJ retira documentos históricos do antigo IML após vídeo causar revolta

Grupo formado por órgãos públicos e entidades civis acompanha preservação de documentos históricos do antigo IML

O Governo do Estado do Rio de Janeiro iniciou nesta quinta-feira (21) a retirada de documentos históricos armazenados no antigo prédio do Instituto Médico Legal, na região da Lapa, área central da capital fluminense. A ação acontece uma semana após a divulgação de um vídeo que mostrou papéis e fotografias sendo lançados pela janela do imóvel, desativado desde 2009.

O trabalho é coordenado pelo Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, que recolheu, nesta primeira etapa, 196 livros e cerca de 137 metros lineares de documentação.

Entre os materiais retirados estão registros de entrada e saída de corpos entre as décadas de 1960 e 1990, plantas do edifício e fotografias históricas da inauguração do prédio.

Repercussão do vídeo

As imagens divulgadas nos últimos dias provocaram preocupação entre pesquisadores, entidades de memória e autoridades públicas. O antigo prédio do IML abriga documentos considerados relevantes para a história do estado, incluindo registros ligados ao período da Ditadura Militar.

Na ocasião, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro informou que parte do material encontrado estava contaminada, sem identificação e sem valor histórico. Segundo a corporação, os documentos considerados relevantes seriam preservados e encaminhados ao Arquivo Público.

Documentos históricos são retirados por profissionais do Arquivo Público do RJ / Foto: Marcelo Régua/Divulgação

Grupo acompanha preservação

O Aperj informou que coordena um grupo de trabalho criado em novembro de 2024 para tratar da preservação dos documentos encontrados nos antigos prédios do DOPS e do IML.

O grupo reúne representantes da Polícia Civil, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, do Ministério Público Federal e de entidades da sociedade civil, como o Coletivo Memória, Verdade e Justiça do Rio de Janeiro e o Grupo Tortura Nunca Mais.

Segundo o governo estadual, equipes técnicas realizaram mais de dez visitas ao prédio para identificar, catalogar e avaliar o material armazenado no local.

Documentos históricos

Além dos registros do antigo IML, o acervo inclui arquivos ligados à Corregedoria da Polícia Civil e ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli.

O Ministério Público Federal acompanha procedimentos relacionados à preservação de laudos cadavéricos e exames de corpo de delito produzidos entre 1966 e 2009.

Já documentos anteriores a esse período, incluindo registros entre 1907 e 1965 oriundos do antigo DOPS, já estavam sob guarda do Arquivo Público.

Entre os materiais históricos também há arquivos funcionais de investigadores ligados às antigas polícias políticas das décadas de 1930, 1940 e 1950.

Todo o acervo recolhido está em processo de tombamento junto ao IPHAN. Uma nova etapa da retirada dos documentos está prevista para a primeira quinzena de junho.

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