Após denúncias de assédio sexual, Petrobrás promete tomar medidas para apurar os casos e aplicar sanções

A Petrobras informou hoje que criou um grupo de trabalho para revisar protocolos internos para o recebimento e o tratamento de denúncias de assédio e importunação sexual de funcionárias. A medida foi tomada depois da revelação de que um grupo de WhatsApp foi criado por empregadas da Petrobras para trocar informações sobre casos de assédio…

A Petrobras informou hoje que criou um grupo de trabalho para revisar protocolos internos para o recebimento e o tratamento de denúncias de assédio e importunação sexual de funcionárias.

A medida foi tomada depois da revelação de que um grupo de WhatsApp foi criado por empregadas da Petrobras para trocar informações sobre casos de assédio cometidos nas instalações operacionais e escritórios da estatal nos últimos anos.

A notícia levou o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, a prometer reforçar ainda mais os controles na companhia contra o assédio sexual. Ele afirmou que defende uma política de tolerância zero nestes casos e já havia prometido ações neste sentido no início de março.

Segundo as informações compartilhadas pelas petroleiras no grupo, muitas denúncias já foram feitas à ouvidoria da estatal nos últimos anos, mas a punição, de acordo com os relatos, tem sido apenas trocar o assediador ou a vítima de setor. Algumas mulheres contaram que, nos dormitórios de plataformas, colocam cadeiras atrás da porta numa tentativa de se protegerem de assediadores.

Segundo a Petrobras, o resultado da reavaliação dos procedimentos internos no tratamento das denúncias de assédio sexual será conhecido até o dia 20 de abril, juntamente com as medidas que a empresa pretende adotar imediatamente para reforçar os controles.

“A nova gestão da companhia reitera que não tolera qualquer tipo de assédio e violência contra mulher. Ao longo de toda a análise, serão revistos os processos de proteção às denunciantes e de aplicação de punições, assim como as atribuições das áreas que são responsáveis pela apuração das denúncias. Também serão propostas ações para conscientização e prevenção de assédio em toda a companhia”, informou o comunicado da Petrobras divulgado na noite de ontem.

Segundo a estatal, o grupo de trabalho será coordenado pela gerente executiva de SMS (área responsável por saúde, meio ambiente e segurança), Daniele Lomba, e se reportará diretamente à diretoria executiva da Petrobras, liderada por Prates.

Entre os oito diretores da Petrobras escolhidos pelo atual presidente da estatal, há apenas uma mulher: Clarice Coppetti, diretora de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade. Em toda a história da Petrobras, apenas uma mulher presidiu a estatal: Graça Foster, no governo de Dilma Rousseff.

A comissão criada pela Petrobras terá representantes de áreas administrativas e operacionais, com participação de funcionários de diferentes áreas como Presidência, Ouvidoria, SMS, Recursos Humanos, Conformidade, Integridade Corporativa, Inteligência e Segurança Corporativa, Exploração e Produção, Responsabilidade Social e Integração de Negócios e Participações.

No comunicado, a Petrobras se solidarizou com vítimas e frisou que tem um canal de denúncia online à disposição. A partir dos registros, a empresa promete tomar “as medidas cabíveis para apuração e aplicação de sanções”.

“A Petrobras manifesta sua total solidariedade a todas as mulheres que passaram por situações de constrangimento ou violência em seus ambientes de trabalho. A companhia estimula que as mulheres que tenham vivenciado ou estejam vivenciando situações de assédio sexual registrem seus relatos no Canal Denúncia”, diz a nota. “A Petrobras reforça seu compromisso com a proteção às vítimas e enfatiza que a privacidade e o acolhimento às denunciantes serão garantidos.”

Com informações do Globo.

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