Após condenação de ex-PM, cinco réus ainda respondem por morte de Fernando Iggnácio

Réus, entre eles Rogério Andrade, respondem por homicídio de bicheiro em três processos que ainda tramitam na Justiça do Rio de Janeiro

A condenação de Rodrigo Silva das Neves pelo homicídio de Fernando Iggnácio, anunciada nesta sexta-feira, não encerra os desdobramentos do caso. Outros três processos continuam em curso na Justiça do Rio de Janeiro e envolvem cinco réus apontados por participação no crime.

Entre eles estão os irmãos Pedro Emanuel D’Onofre Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Cordeiro, além de Márcio Araújo de Souza, Rogério Andrade e Gilmar Eneas Lisboa. Cada um responde em etapas distintas, após decisões que separaram os julgamentos.

Júris desmembrados

Pedro e Otto seriam julgados junto com Rodrigo, mas o processo foi interrompido após a destituição do advogado que os representava. A Justiça determinou a nomeação de uma nova defesa, e o júri dos dois ainda será remarcado.

A separação dos processos também atingiu outros acusados, o que levou a diferentes fases de tramitação e prazos distintos para julgamento.

Mandante responde em processo próprio

Apontado como mandante do crime, Rogério Andrade responde em um processo separado. Segundo a denúncia, ele teria ordenado a execução por meio de Márcio Araújo de Souza, seu chefe de segurança.

Rogério foi preso em outubro de 2024, após o avanço das investigações. Ele permanece detido em presídio federal e responde ao processo que já se encontra na fase final de instrução e julgamento.

Monitoramento da vítima

No mesmo processo de Rogério, também responde Gilmar Eneas Lisboa, acusado de acompanhar a rotina de Fernando Iggnácio antes do crime. De acordo com as investigações, o monitoramento teria começado meses antes da execução.

Gilmar teria enviado registros detalhados sobre a movimentação da vítima, incluindo informações sobre a casa de veraneio em Angra dos Reis e o local de desembarque do helicóptero no dia do assassinato.

Execução e contratação

Márcio Araújo de Souza é apontado como responsável por intermediar a ação criminosa, coordenando os executores e repassando informações. Ele chegou a ser incluído no mesmo processo de Rodrigo, mas o caso foi desmembrado após demora na apresentação de manifestações da defesa.

Segundo a promotora Andrea Fava, a medida foi adotada para evitar mais atrasos no julgamento dos demais acusados. Ela explicou que um pedido de perícia acabou prolongando o andamento do processo de Márcio.

Márcio se entregou à polícia em 2021, deixou a prisão por decisão judicial e atualmente responde em liberdade, sob monitoramento eletrônico e com restrições de deslocamento.

Investigação sobre executores

As investigações também apontam que Pedro teria realizado levantamentos sobre a rotina da vítima e estudado execuções anteriores para evitar falhas no crime. Após o assassinato, ele deixou o país e foi preso no Paraguai em 2025.

Já Otto é acusado de participação direta na execução. Segundo a apuração, ele teria se escondido próximo ao local do crime junto a outros envolvidos e aguardado a chegada da vítima.

Outro suspeito apontado como executor, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, conhecido como Farofa, foi encontrado morto em 2022, antes de ser julgado.

Desdobramentos ainda em curso

Ao fim do julgamento de Rodrigo Silva das Neves, representantes do Ministério Público destacaram que a condenação representa apenas uma etapa do processo. A promotora Andrea Fava afirmou que outros envolvidos ainda serão julgados, incluindo o acusado de ser o mandante.

Os processos seguem em tramitação e ainda não há definição sobre as datas dos próximos júris.

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